Jordânia não emprestará bases para ataque ao Iraque

A Jordânia não emprestará suas bases militares aos Estados Unidos em um eventual ataque de Washington ao Iraque. A afirmação é do ministro de Relações Exteriores de Amã, Marwan Al-Moashar, que acompanha o rei Abdullah II em uma visita a Genebra. "Temos uma posição firme quanto aos ataques. Não queremos nos envolver em uma guerra e não vamos aceitar que se lance qualquer tipo de ofensiva a partir de nosso território contra um país árabe", afirmou o ministro. Segundo ele, a Jordânia, apesar de ser um dos países mais próximos aos Estados Unidos na região, acredita que a guerra ainda pode ser evitada e lembra que o rei Abdullah está fazendo esforços diplomáticos para isso. "Temos conversado com Bagdá para que encontrem uma solução negociada com a ONU para permitir que os inspetores voltem ao país o mais rápido possível", afirmou o ministro. A Jordânia ainda está pedindo para que o Iraque siga as recomendações de qualquer resolução da ONU que seja aprovada pelo Conselho de Segurança. "Essa será a única forma de evitar uma guerra", disse. Al-Moashar afirma que uma guerra contra o Iraque teria consequências "desastrosas" para toda a região do Oriente Médio, e não apenas para o Iraque. Segundo ele, na última Guerra do Golfo em 1991, a Jordânia recebeu 1,5 milhão de refugiados, o que representou um aumento de 40% na população do país. "Esperamos que não voltemos à mesma situação da última guerra, pois não teremos condições de receber os refugiados", alerta o ministro. InvestimentosApesar da aliança entre Washington e Amã, uma guerra neste momento seria prejudicial ao projeto do rei Abdullah II de reestruturar o país e atrair investimentos estrangeiros. O rei, que esteve ontem em Genebra falando com empresários europeus, garante que a economia da Jordânia cresceu 4% no primeiro semestre do ano e que continuará com o programa de privatização dos principais serviços do país, apesar dos riscos de uma guerra no Iraque.

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