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Jordânia tenta negociar libertação de piloto com o Estado Islâmico

Grupo jihadista decapitou jornalista japonês que também era mantido refém e pede libertação de extremista iraquiana

O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2015 | 10h51


CAIRO - A Jordânia continua tentando salvar o piloto refém do Estado Islâmico (EI) Moaz Kaseasbeh, após o grupo jihadista decapitar o jornalista japonês Kenji Goto.

O porta-voz do Executivo jordaniano, Mohammed al-Momani, repudiou em comunicado a execução de Goto e o terrorismo que vem sendo praticado pelo EI.

Momani ressaltou que seu país continua "se esforçando" para conseguir a libertação de Kaseasbeh, capturado pelos extremistas no dia 24 de dezembro de 2014 enquanto participava de uma ofensiva aérea da coalizão internacional liderada pelos EUA contra o EI.

As tensas negociações entre o grupo jihadista e os governos de Jordânia e Japão não evitaram que Goto fosse decapitado. Em um vídeo, os extremistas acusam Tóquio de participar da aliança internacional no Iraque e na Síria.

"A Jordânia não poupou nenhum esforço para proteger a vida do refém japonês e salvá-lo e estava em constante contato e coordenação com o governo japonês", disse Momani, acrescentando que "os terroristas recusaram todas as tentativas" jordanianas de libertar o repórter. Em troca de libertar os dois reféns, o EI exigia a libertação da terrorista Sajida al-Rishawi, condenada à pena de morte na Jordânia.

Amã aceitou trocar Rishawi por Goto e Kaseasbeh, mas aparentemente a negociação ficou congelada porque a Jordânia exigiu uma prova de que o piloto estava vivo. No vídeo da decapitação de Goto, o Estado Islâmico não menciona o militar jordaniano.

O porta-voz da Jordânia afirmou que o país ainda tenta conseguir a "prova" de que o piloto continua vivo.

Em 20 de janeiro, coincidindo com a viagem do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, ao Oriente Médio, o EI divulgou um primeiro vídeo exigindo de Tóquio o pagamento de US$ 200 milhões para não matar dois japoneses em seu poder, Goto e Haruna Yukawa, executado há uma semana.

Além de executar os dois japoneses, o grupo jihadista matou na Síria os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff e três assistentes sociais, os britânicos David Haines e Alan Henning e o americano Peter Kassig.

Combates. O Estado Islâmico sofreu grandes retrocessos em terra recentemente, como na cidade curda de Kobani, localizada no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia, que foi liberada pelas forças curdas com ajuda da coalizão internacional após quatro meses de combates.

No Iraque, os intensos bombardeios internacionais iniciados em agosto e os ataques da aviação iraquiana, apoiados por terra por milicianos tribais e curdos, serviram para enfraquecer o grupo radical, que continua dominando cidades como Mossul, a segunda maior cidade do país.

Fontes informaram no domingo que mais de 60 integrantes do EI morreram nos últimos dois dias no norte do Iraque em combates com as forças curdas e em bombardeios.

Repúdio. A opositora Coalizão Nacional Síria se uniu ao repúdio pelo assassinato do segundo refém japonês e disse que o EI comete "crimes horríveis".

O primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, pediu à comunidade internacional para aumentar sua cooperação para exterminar o EI, que em junho de 2014 declarou um califado nas regiões que controla na Síria e no Iraque.

O EI promove uma guerra propagandística pela internet na qual constantemente ameaça e ordena ataques aos países ocidentais e a todos os que participam da luta contra o grupo. /EFE

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