REUTERS/Mariana Bazo
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Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht, prestará depoimento em março à Lava Jato do Peru

No mês que vem, cinco pessoas envolvidas nos crimes da empreiteira no país serão interrogados no Brasil pela força-tarefa peruana

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2019 | 04h16

LIMA - O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, prestará depoimento nos dias 12, 13 e 14 de março à equipe de procuradores especiais da Lava Jato no país. Outras cinco pessoas envolvidas nos crimes da empreiteira serão interrogados no Brasil entre os dias 18 e 22 de fevereiro.

Barata não foi incluído na lista de depoimentos do próximo mês devido à 'agenda cheia' de seu advogado, Carlos Kauffman. Inicialmente, os depoimentos estavam previstos para janeiro, mas uma série de diligências foram paralisadas após o procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, demitir os procuradores Rafael Vela, responsável pela Lava Jato peruana, e José Domingo Pérez. Ambos foram readmitidos dias depois após o escândalo provocar manifestações populares no país. 

A saída temporária dos procuradores travou a aplicação de um acordo de delação premiada com a Odebrecht, firmado em 9 de dezembro do ano passado entre a empreiteira, o Ministério Público e a Procuradoria-Geral do Peru. A empresa brasileira se comprometeu a entregar informações sobre o pagamento de propinas a funcionários e agentes públicos peruanos.

Um dos pontos do acordo é a entrega de documentos dos servidores MyWebDay e Drousys, responsável pela contabilidade das vantagens indevidas da Odebrecht.

No Peru, a Lava Jato investiga pagamentos de propinas da empreiteira entre 2005 e 2014 e suposto financiamento ilegal de campanhas dos principais candidatos à presidência. Em contrapartida, a Odebrecht ganhava concessões e contratos para executar obras públicas milionárias. O caso no qual Barata é investigado se trata de vantagens indevidas para a construção da rodovia Interoceânica Sul, o Metrô de Lima, o corredor Costa Verde-Callao e o Gasoduto Del Sur.

Os vínculos envolvendo a Odebrecht atingem os ex-presidentes Alejandro Toledo, Alan García, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski. A líder opositora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também é alvo das investigações. /EFE

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