EFE/IAN LANGSDON
EFE/IAN LANGSDON

Jorge Faurie, 1.º chanceler argentino com carreira diplomática em 30 anos

Nenhum dos titulares do Ministério de Relações Exteriores da Argentina teve perfil diplomático desde o final da ditadura

O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 05h00

BUENOS AIRES - Aos 65 anos, Jorge Faurie deixará de ser embaixador da Argentina na França para se tornar o primeiro diplomata de carreira a assumir a chancelaria do país nas últimas três décadas, com determinantes desafios pela frente, como a realização da Cúpula do G-20 em Buenos Aires em 2018.

Salvo o breve lapso de pouco mais de um mês no qual, em 1989, Susana Ruiz esteve à frente do Ministério de Relações Exteriores e Cultura, nenhum dos titulares da pasta, desde o final da ditadura (1976-1983) até agora, teve o perfil diplomático de Faurie, advogado desde 1974 e titulado pelo Instituto do Serviço Exterior da Argentina dois anos depois.

"Porei toda minha energia para colaborar no sucesso do atual projeto presidencial", disse esta segunda-feira, em declarações em Paris ao jornal argentino La Nación, o novo ministro do governo de Mauricio Macri, que assumirá o cargo em 12 de junho em substituição de Susana Malcorra, que renunciou por motivos pessoais.

Uma energia que chegará avalizada pela experiência de Faurie no ministério, onde já trabalhou, entre outros cargos, como vice-chanceler em 2002, diretor nacional de cerimonial (1998-1999), chefe de gabinete da Secretaria de Relações Exteriores (1997-1998) e secretário-geral da chancelaria em 1992.

Embaixador extraordinário e plenipotenciário desde 1998, em sua carreira recebeu condecorações de Brasil, Venezuela, Chile e Portugal - onde foi embaixador entre 2002 e 2013 - por seu trabalho nas missões diplomáticas argentinas nesses países.

Em fevereiro do ano passado, sua posse como embaixador na França não esteve isenta de polêmica, depois que o recém assumido Executivo de Macri enviou uma carta à até então embaixadora, Carmen Squeff, nomeada por Cristina Kirchner (2007-2015), para que desse lugar a seu substituto, perante sua negativa em deixar o posto.

Fluente em inglês, português, francês, italiano e romeno, seu trabalho como diplomata em Paris esteve marcado pela viagem feita à Argentina em fevereiro de 2016 pelo então presidente francês, François Hollande, e pela que cinco meses depois Macri fez a Paris.

Em sua nova faceta de chanceler, Faurie tem pela frente várias tarefas estratégicas: a cúpula de chefes de Estado do Mercosul em julho em Mendoza, a viagem de Macri à cúpula de países do G-20 em Berlim, a presidência argentina desse grupo, em 2018, e a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em dezembro na capital argentina.

Além disso, em cima da mesa continua a rodada de negociações para o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, a presidência anual da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que atualmente está com a Argentina, e a visita de governantes internacionais como a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Jorge Faurie é o diplomata número 1 no ranking de diplomatas argentinos e acreditamos que, na tarefa de fortalecer a equipe de política exterior, é importante dar este sinal aos diplomatas argentinos de que podem liderar", declarou hoje o chefe do gabinete de ministros, Marcos Peña, ao anunciar a nomeação de Faurie. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.