Jornada eleitoral na Tailândia é tranqüila

A jornada eleitoral na Tailândia transcorre hoje sem incidentes, após quase dois meses de manifestações que tinham como objetivo pedir a renúncia do primeiro-ministro interino, Thaksin Shinawatra. "Deixemos que o povo decida. Chegou o momento de recuperar a ordem e a lei", declarou Shinawatra à imprensa após depositar seu voto na urna durante as eleições legislativas antecipadas, convocadas em 24 de fevereiro último com a esperança de aplacar os protestos dos grupos civis que buscam tirá-lo do poder. Os grupos civis que integram a Aliança do Povo para a Democracia acusam Shinawatra de corrupção, abuso de poder e nepotismo. Shinawatra, chefe do partido governante Thai Rak Thai, de caráter nacionalista, compareceu para votar neste domingo em um colégio eleitoral de Bangcoc por volta das 10h locais (meia-noite de Brasília), com seus três filhos e escoltado por seguranças. Nas províncias muçulmanas de Pattani, Yala e Narathiwat, no sul do país, onde a violência causou mais de 1.300 mortes desde que em janeiro de 2004 o movimento separatista islâmico retomou a luta armada, as forças de segurança se encontram em estado de alerta máximo para prevenir eventuais ações dos insurgentes. Cerca de 45 milhões de tailandeses, de uma população total de quase 64 milhões, têm direito a voto nos colégios eleitorais, que abriram suas portas às 8h locais (22h de Brasília deste sábado) e têm previsto encerrar a votação sete horas depois. A Comissão Eleitoral espera anunciar os resultados provisórios do pleito nas primeiras horas desta segunda-feira. Shinawatra afirmou durante a campanha que renunciará ao cargo de primeiro-ministro caso seu partido Thai Rak Thai não consiga atingir metade dos votos depositados no pleito. As eleições legislativas estão sendo realizadas em meio a uma crise política e ao boicote dos três maiores partidos da oposição, o Democrata, o Chart Thai (Nação Tailandesa), e o Mahachon, que decidiram não apresentar candidatos em protesto pela negativa de Shinawatra de assumir o compromisso de fazer emendas à Constituição. O boicote pode fazer com que das urnas não saia escolhida a totalidade dos 500 membros do Parlamento, um requisito estabelecido pela legislação para que a formação do Governo possa ter início. O partido de Shinawatra se apresenta sozinho em pelo menos 260 circunscrições eleitorais das 400 existentes na Tailândia. Nas eleições legislativas realizadas há apenas 14 meses, o Thai Rak Thai obteve 376 cadeiras no Parlamento. Dias antes da votação, Shinawatra, ex-oficial da Polícia e multimilionário transformado em político, pediu aos partidos que defendem sua renúncia que respeitem a vontade do povo expressada através das urnas.

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