Jornada palestina contra ocupação israelense incendeia Cisjordânia e Gaza

A violência voltou a tomar ontem partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, em meio aos protestos do chamado "Dia da Terra", contra a anexação de territórios palestinos por Israel. Houve arremesso de pedras, de um lado, e disparos com balas de borracha e gás lacrimogêneo, de outro. Dezenas de palestinos ficaram feridos. Em Gaza, um jovem que teria se aproximado da fronteira foi morto a tiros.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h07

O governo israelense temia que os protestos atingissem a intensidade do Dia da Terra do ano passado, quando 38 manifestantes foram mortos na Cisjordânia e nas fronteiras com o Líbano e a Síria. Desta vez, porém, a violência foi menos intensa.

A data costuma ser marcada por protestos de árabes-israelenses e palestinos contra as políticas de expansão de Israel, como a construção de assentamentos na Cisjordânia e casas de colonos em Jerusalém Oriental. Em antecipação, forças israelenses tomaram postos logo no começo do dia de ontem.

O Ministério da Saúde de Gaza afirmou que forças israelenses mataram com um disparo Mahmoud Zaqout, de 21 anos, e feriram com gravidade pelo menos um outro palestino. Eles participavam de uma manifestação organizada pelo Hamas, que controla o território, diante do principal posto de fronteira entre Gaza e Israel.

O Exército israelense disse ter efetuado disparos de advertência antes de atingir Zaqout, conforme prevê a lei militar de Israel. Israel também alega que projéteis de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral foram disparados para dispersar a multidão antes da morte do palestino. Segundo o Hamas, 38 pessoas ficaram feridas nos confrontos em Gaza. Israel coloca o número em 29.

No sul do Líbano, palestinos reuniram-se no Castelo Beaufort, construção do tempo das cruzadas que fica a 15 quilômetros da fronteira com Israel. As forças libanesas não permitiram que o grupo chegasse até a fronteira com Israel, como ocorreu no ano passado.

Na Jordânia, milhares de manifestantes aproximaram-se da fronteira com a Cisjordânia, sob os gritos de "morte a Israel". A fronteira é controlada por Israel. Não houve feridos.

Qalandyia. Ao meio-dia, manifestantes palestinos tomaram posição em áreas de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia. Parte da multidão entrou em confronto com tropas israelenses: palestinos atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com tiros de munição de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Um dos piores confrontos ocorreu no posto de segurança de Qalandyia, que liga Jerusalém à Cisjordânia. Entre os feridos no confronto está Mustafá Barghuti, político independente que ficou em segundo lugar nas eleições palestinas de 2005, atrás do atual presidente, Mahmoud Abbas.

O Estado conversou com Barghuti enquanto ele recebia tratamento em um hospital de Jerusalém, ferido na cabeça e nas costas pelos disparos de forças israelenses. "Fazíamos uma marcha pacífica em Qalandyia, quando, do nada, eles abriram fogo contra nós", disse.

Barghuti afirmou que o objetivo da manifestação era denunciar a expansão israelense em território árabe e lutar pela "unificação de Jerusalém" - o líder palestino defende a união da Cidade Santa sob um sistema de soberania compartilhada.

Israel diz que suas forças responderam ao serem atingidas por pedras em Qalandyia. / REUTERS, COM ROBERTO SIMON

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