Jornais de Murdoch rejeitam acusação de ex-premiê e defendem suas apurações

'Sunday Times' e 'The Sun' disseram que dados sobre Gordon Brown foram obtidos de forma legal.

BBC Brasil, BBC

12 de julho de 2011 | 18h00

Os jornais do grupo News Internacional rejeitaram nesta terça-feira acusações de que teriam obtido de forma ilegal informações privadas sobre o ex-premiê britânico Gordon Brown e defenderam seus métodos jornalísticos.

Documentos e gravações que vieram à tona na última segunda-feira sugeriam que o Sunday Times e o The Sun poderiam ter tido acesso a dados financeiros privados de Brown e ao histórico médico de seu filho.

Brown declarou à BBC estar "genuinamente chocado em saber que isso aconteceu por causa das ligações com criminosos conhecidos que estavam realizando estas atividades, contratados por investigadores que estavam trabalhando para o Sunday Times".

Mas o Sunday Times disse nesta terça que não procedeu de forma ilegal quando publicou uma reportagem, no ano 2000, sobre Brown quando este atuava como ministro das Finanças e adquiriu um apartamento.

O jornal disse que agiu de acordo com o "interesse público".

"Ouvimos que Brown havia comprado um apartamento mais barato do que qualquer avaliação normal e ele o tinha feito por meio de uma companhia da qual um aliado próximo, Geoffrey Robinson, tinha sido diretor", disse um porta-voz do jornal.

"Tínhamos motivos suficientes para investigar o assunto e usamos o código da Press Complaints Comission (o órgão independente que analisa as reclamações da população a respeito da imprensa), que regula o uso de táticas."

"Acreditamos que não agimos fora da lei nesse processo de investigação e, ao contrário da alegação de Brown, nenhum criminoso foi usado, e a história foi publicada dando um espaço justo a todos os lados."

'The Sun'

Outro jornal da News International, o The Sun, também defendeu seus métodos a respeito da publicação, em 2006, de uma matéria que tinha informações sigilosas sobre a saúde de Fraser, filho de Brown que tem fibrose cística.

Brown afirmou não saber como a informação foi obtida pelo jornal, já que apenas médicos e a família sabiam da doença.

"(Minha esposa) Sarah e eu ficamos incrivelmente angustiados com isso, nós estávamos pensando no futuro dele no longo prazo, estávamos pensando em nossa família", ele disse.

"Se eu, com toda a proteção e toda a segurança dadas a um ministro das finanças ou primeiro-ministro, sou tão vulnerável a táticas inescrupulosas e ilegais, o que acontece com o cidadão comum?", indagou Brown.

Mas um porta-voz do The Sun disse que "podemos garantir a Brown e sua família que não tivemos acesso aos registros médicos de seu filho nem pagamos alguém para fazê-lo".

"A reportagem que publicamos foi feita com base em um membro da população que teve um caso da doença na família. Ele veio até o jornal voluntariamente com a informação porque desejava dar visibilidade à causa dos que sofrem com ela."

"Esse indivíduo confirmou por escrito essa versão dos fatos a um advogado."

"Acreditamos que essa reportagem foi escrita de forma apropriada e com bom senso. Não estamos cientes de que Brown ou qualquer um de seus colegas com quem conversamos tenha reclamado na época."

O jornal diz ter entrado em contato com colegas de Brown antes de publicar a reportagem e que estes teriam tido uma reação que indicava que consentiriam com a publicação.

As novas acusações contra jornais do grupo pertencente ao magnata Ruper Murdoch surgem uma semana depois de alegações de grampo telefônico envolvendo o tabloide News of the World.

O escândalo levou a News International a fechar o News of The World no último domingo, após 168 anos de atividade.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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