Jornais repercutem vitória do Hamas em todo o mundo

A vitória tão avassaladora quanto inesperada do movimento islâmico extremista Hamas nas eleições palestinas desta semana alimenta editoriais em vários países. Na Argentina, o La Nación afirma que "o resultado muda o mapa político do Oriente Médio como um terremoto" e que uma "nova era glacial" paira sobre as relações entre palestinos e israelenses.O jornal argentino conclui que a vitória esmagadora do Hamas "afundou toda a região na incerteza política", já que Israel já anunciara que não está disposto a reconhecer um governo com participação do Hamas, e o próprio movimento não parece querer aceitar as exigências da comunidade internacional.Para o espanhol El País, com o resultado das eleições palestinas, "Bruxelas (uma das sedes da União Européia) tem agora uma batata quente nas mãos", lembrando que o representante de Política Externa da UE, Javier Solana, afirmou há algumas semanas que "se o Hamas fosse participar do governo, as ajudas financeiras seriam revisadas".No entanto, segundo o próprio diário espanhol, dirigentes do Hamas mais recentemente afirmaram já ter recebido ligações de países importantes da UE prometendo que os fundos não serão cortados.Israel O americano The New York Times analisa as possíveis repercussões da vitória do Hamas sobre a política israelense, indicando que "Israel provavelmente vai buscar ações unilaterais, delimitando as suas próprias fronteiras e se separando dos palestinos".De acordo com os especialistas entrevistados pelo jornal nova-iorquino, Israel estaria "mais livre para estabelecer o seu próprio futuro", já que negociações com um partido que tem entre os seus princípios a destruição do Estado israelense estão descartadas.Já um editorial do Washington Post desta sexta-feira afirma que a vitória do Hamas não significa que "a maioria dos palestinos apóie o programa terrorista", mas sim, porque "precisamente como disse Bush, os eleitores estão insatisfeitos com o status quo".O jornal americano diz ainda que a administração do presidente George W. Bush deveria se perguntar "por que não deu passos mais largos, em um período mais amplo para mudar o status quo palestino. Uma ação no Iraque não iria resolver a questão."

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