Jornais suíços reagem diante de "não" a estrangeiros

Vergonha, cinismo, hipocrisia e racismo comentam hoje os jornais da Suíça francesa, única região onde o povo votou em favor dos estrangeiros. Porém, a grande maioria rejeitou os referendos que visavam integrar no país os filhos e netos de imigrantes. Mais de 60 anos depois da Segunda Guerra, quando a Suíça adotou um comportamento questionável com relação aos estrangeiros, principalmente judeus; mais de 30 depois da vergonhosa campanha A Suíça para os Suíços, liderada pelo suíço Schwarzenbach, contra os imigrantes espanhóis e italianos, a Suíça reincide e deixa transparecer o racismo com a rejeição, em dois referendos, da naturalização facilitada para os filhos e netos de imigrantes, a grande maioria deles nascidos na Suíça.Bem no meio da União Européia, da qual não faz parte, a Suíça revela nas urnas estar mais próxima da extrema-direita do que esteve a Áustria de Joerg Haider: o Partido do Povo Suíço, que apregoa o isolamento, serviu-se, na campanha eleitoral, de cartazes racistas e de estatísticas supostamente falsas. ?Se os estrangeiros puderem ser suíços - dizia um dos cartazes -, em 2050 os muçulmanos serão maioria no país". Outro cartaz mostrava mãos negras e morenas se apropriando de passaportes suíços, para acentuar que o país é branco.Os resultados dos referendos mostram também uma Suíça dividida - a grande maioria dos suíços franceses votaram em favor dos estrangeiros. Mas eles são minoria. Os suíços alemães votaram em massa contra seus vizinhos da União Européia, considerados perigosos estrangeiros.Pequeno país que se enriqueceu fazendo o jogo duplo (vendia armas para os ingleses e alemães, enquanto receptava o ouro roubado dos países invadidos pelos nazistas e seus bancos roubavam as contas dos judeus mortos no Holocausto), a Suíça deu uma mostra de cinismo, hipocrisia e racismo, como dizem os jornais suíços franceses. ?É o não da vergonha?, diz o jornal Le Matin; tenho vergonha de ser suíço, diz o editorial do jornal do Jura suíço francês.

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