Jornal americano é obrigado a revelar fontes secretas

O jornal norte-americano New York Times foi obrigado a revelar a identidade de três fontes secretas usadas pelo colunista Nicholas Kristof. A decisão é do juiz federal Liam O´Grady e diz respeito a uma série de artigos sobre a suposta participação de um ex-cientista do exército em ataques com armas biológicas, em 2001.A decisão, divulgada nesta segunda-feira, é resultado de um processo por difamação iniciado por Steven J. Hatfill, o ex-cientista citado nos artigos. Hatfill foi descrito como possível réu no caso das cartas com antraz enviadas a membros do Congresso, que causou a morte de cinco pessoas.As autoridades que investigam o crime descrevem o cientista como uma "pessoa de interesse" no caso, embora não haja nenhuma acusação formal contra ele.Os advogados de Hatfill pediram que as identidades das três pessoas consultadas nos artigos sejam divulgadas. Segundo o jornal Los Angeles Times, o principal argumento é que "interrogá-las seria vital para solucionar o caso". Como o jornalista se negou, o juiz ordenou que os nomes sejam apresentados até quarta-feira, dia 25."Estamos desapontados com a decisão, pois consideramos que fontes confidenciais são muitas vezes importantes na cobertura de investigações do governo", disse o colunista Nicholas Kristof.A porta-voz do New York Times, Catherine Mathis, disse que o jornal irá recorrer da sentença.Nos primeiros artigos, de 2002, Kristof escreveu que um cientista do governo estava sendo o foco das investigações do caso antraz, mas não divulgou seu nome. O personagem era tratado como o "Senhor Z". Pouco tempo depois, Kristof revelou tratar-se de Steven J. Hatfill.Em julho deste ano, o colunista se recusou a divulgar o nome das cinco fontes envolvidas no artigo. Duas delas concordaram posteriormente que suas identidades fossem reveladas. O juiz Liam O´Grady acredita que as restantes sejam dois agente do FBI e um ex-companheiro de trabalho de Steven J. Hatfill em um laboratório do exército. Outra jornalista do New York Times, a repórter Judith Miller, passou 85 dias na prisão, no ano passado, por ter se negado a revelar o nome de uma fonte. O caso envolveu a divulgação do nome da agente secreta da CIA Valerie Plame.

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