Jornal aponta elo de terrorista com radicais britânicos

Anders Breivik participou de manifestações da English Defence League, mas polícia ainda acredita que ele agiu sozinho em ataque

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / OSLO

O terrorista norueguês Anders Behring Breivik, autor confesso dos ataques de Oslo e Utoya, mantinha contato com militantes de pelo menos um grupo de extrema direita da Grã-Bretanha, o English Defence League (EDL). A revelação foi feita ontem pelo jornal Daily Telegraph, de Londres, e tem como base depoimentos de membros do grupo, que confirmaram trocar mensagens com o assassino.

A informação, porém, não afastou a convicção da polícia norueguesa de que os ataques de sexta-feira foram uma ação isolada.

As ligações da EDL com a Noruega não são novidade. A associação tem uma equivalente no país, a Norwegian Defence League (NDL), que ontem negou em comunicado que Breivik tenha feito parte de suas fileiras.

"Nós enfatizamos que o suspeito nunca foi membro de nossa organização", afirmou Ron Atle, um dos líderes da liga, em uma nota. Em Londres, a direção da EDL também afirmou desconhecer o assassino confesso. "Negamos categoricamente que tenha havido contato oficial entre ele e a EDL", escreveu a organização de extrema direita em seu website.

O grupo britânico confirmou, entretanto, que o norueguês participou de protestos organizados pela EDL. "Ele veio a uma ou outra manifestação em 2010, mas o que ele fez foi errado."

Segundo o jornal Telegraph, diversos membros da EDL afirmaram ter estado com Breivik durante manifestações do grupo. O contato teria sido mais intenso em março de 2010, quando também teria ocorrido um encontro com o polêmico político holandês Geert Wilders, em Londres.

"Estou revoltado com a ideia de que o suspeito se refere a mim e ao Partido da Liberdade em seu manifesto", disse ontem Wilders. "Ter a luta contra a islamização duramente violada por um psicopata doentio é um tapa na cara do movimento anti-Islã global."

Templários. Em seu "manifesto", Brevik afirma ter ligações com a NDL e com EDL e diz que 600 de seus amigos na rede social Facebook são militantes dos dois grupos. O número real seria de 150 membros das organizações extremistas europeias.

No documento, ele ainda se questiona sobre a eventual participação de membros da EDL na fundação da organização Cavaleiros Templários (PCCTS, na sigla original), da qual Breivik diz ser um dos fundadores.

Em seu primeiro depoimento à Justiça, na segunda-feira, o extremista afirmou que não atuou sozinho nos atentados - apesar das evidências em contrário reunidas pela polícia da Noruega. Em toda a Europa, polícias e serviços secretos investigam o suposto grupo de extremistas católicos descrito pelo assassino.

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