Jornal chinês quer libertação de repórter

Um jornal chinês fez uma rara manifestação nesta quarta-feira ao pedir em sua primeira página que polícia liberte um de seus repórteres. O jornalista Chen Yongzhou havia sido detido por escrever sobre supostas irregularidades da Zoomlion, uma grande empresa estatal do setor de construção.

AE, Agência Estado

23 de outubro de 2013 | 11h58

Com a manchete em negrito "Por favor, libertem" Chen Yongzhou, o jornal The New Express disse que não há evidência de que o jornalista cometeu qualquer crime. De acordo com a publicação, os repórteres não deveriam ser processados criminalmente por relatar fatos de maneira responsável que possam constranger influentes empresas ou indivíduos.

"Ainda que nosso jornal seja pequeno, nós temos coragem", dizia o editorial do The New Express.

A publicação afirmou que Chen estava sendo punido por uma série de reportagens nas quais ele detalhava as finanças da Zoomlion, empresa listada nas Bolsas de Hong Kong e Shenzhen. Os textos escritos por Chen Yongzhou acusavam a Zoomlion de inflar artificialmente seus lucros.

A Zoomlion é a segunda maior empresa de equipamentos de construção da China, com 32 mil empregados e uma receita relatada de 48 bilhões de yuans (US$ 7,6 bilhões) no último ano. O governo provincial de Hunan é proprietário de um sexto da companhia e é seu maior acionista. A Zoomlion não respondeu às tentativas de contato sobre o caso.

A polícia da cidade de Changsha, capital da província de Hunan, disse em seu microblog oficial que o jornalista havia sido detido no sábado por supostos "danos à reputação da empresa".

Chen é o segundo repórter do New Express a ser detidos nos últimos meses. Em agosto, o jornalista Liu Hu do New Express foi preso depois de publicar em seu microblog pessoal pedidos às autoridades para investigar o vice-diretor da Administração Estatal de Indústria e Comércio. Liu Hu alegava que o oficial havia sido negligente enquanto trabalhava em Chongqing. Fonte: Associated Press.

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