EFE/Jorge Torres.
EFE/Jorge Torres.

Jornal da Nicarágua publica capa em branco em protesto contra o governo

'La Prensa', publicação mais antiga do país e de linha crítica ao governo de Daniel Ortega, diz que Manágua retém desde setembro papel e a tinta importados que foram comprados pela empresa; retenção de materiais também afeta o jornal Hoy

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2019 | 17h17

MANÁGUA - O jornal La Prensa, o mais antigo da Nicarágua, publicou nesta sexta-feira, 18, a sua capa em branco pela primeira vez em seus 93 anos de existência, em protesto pela negativa do governo de Daniel Ortega de entregar o papel e a tinta importados.

"Já imaginou viver sem informação?", diz um título na parte de baixo da página em branco publicada pelo jornal, cujo papel e outros materiais estão retidos desde setembro na alfândega.

"O Editorial La Prensa tomou a decisão de fazer essa publicação hoje (sexta-feira) quando se cumprem as 20 semanas desde que a Direção Geral de Serviços Aduaneiros retém a matéria-prima de propriedade desta empresa, que chegou à Nicarágua em setembro de 2018", protestou o rotativo em sua segunda página, que hoje serviu de capa.

O jornal, que mantém uma linha crítica em relação ao governo de Ortega, denunciou nos últimos dias "o bloqueio alfandegário" do qual são vítimas por parte da aduana, colocando em risco a sua futura circulação, o que qualifica como "uma ameaça à liberdade de informação e expressão dos nicaraguenses".

A retenção de materiais também afeta o jornal Hoy, um meio popular criado em 2003, que, junto com o La Prensa, compõem o grupo Editorial La Prensa. O governo Ortega não se pronunciou sobre a retenção da matéria-prima dos jornais. 

Desde novembro, a imprensa independente está sob o cerco do governo por informar sobre os protestos que começaram em 18 de abril contra Ortega, cuja repressão deixou 325 mortos e mais de 600 detidos, segundo grupos humanitários.

Entre os detidos estão dois conhecidos jornalistas, Miguel Mora, diretor do canal privado 100% Noticias, e sua diretora de imprensa, Lucía Pineda, que, segundo grupos humanitários, têm sido submetidos a maus-tratos na prisão. / AFP

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