Jornal do governo afirma que haverá 2º turno no Zimbábue

Informação não é da Comissão Eleitoral; legislação determina segundo turno depois de 21 dias do primeiro

eFE,

02 de abril de 2008 | 02h21

O jornal governamental do Zimbábue The Herald afirma nesta quarta-feira, 2, que será necessário um segundo turno nas eleições presidenciais, porque nenhum dos candidatos teria conseguido mais de 50% dos votos. Em sua edição digital, o jornal, uma das ferramentas mais importantes do Governo, não divulga dados precisos, assim como a Comissão Eleitoral. As eleições de sábado no Zimbábue, as mais disputadas na história deste país, foram presidenciais, parlamentares e municipais, mas até agora a Comissão Eleitoral divulgou apebas dados da apuração parlamentar. O Herald assinala que as "indicações que existiam ontem à noite eram de que os dois partidos (o governante Zanu-PF e a oposição) provavelmente conseguirão 96 e 99 deputados cada um", respectivamente. "A pauta dos resultados das eleições presidenciais mostra que nenhum dos candidatos obterá mais de 50% dos votos, forçando um segundo turno", diz a publicação. O Herald lembra que, segundo a Constituição, a nova votação deve acontecer 21 dias depois do primeiro turno, com os dois candidatos que alcançaram o maior número de votos. A informação é publicada horas depois de surgirem versões extra-oficiais que falam de supostas negociações políticas para a renúncia do presidente Robert Mugabe, no poder no Zimbábue desde 1980. As negociações entre o partido governante e a oposição foram negadas tanto pelo Governo como pelo opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC). Fontes do partido governante disseram na terça-feira à Agência Efe que, em reunião com altos funcionários e dirigentes dessa legenda, Mugabe pediu a divulgação dos resultados das eleições presidenciais. Também disseram que Mugabe está disposto a reconhecer sua derrota nas urnas, embora tema que chefes militares e policiais se neguem a ficar sob o comando de outro líder que não seja ele. No mesmo dia do pleito, Mugabe, de 84 anos, acusado de manipular as eleições presidenciais de 2002 e as parlamentares de 2005, disse que não previa um segundo turno.

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