Jornal do Irã diz que Carla Bruni é 'imoral'

Primeira-dama da França é chamada de 'prostituta' por imprensa após participar de campanha em favor de Sakineh

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

A crescente mobilização na Europa contra o apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério e cumplicidade na morte do marido, motivou ontem ofensas públicas à primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy.

Uma semana após publicar uma carta aberta afirmando que "lutará sem descanso" pela libertação da prisioneira, a ex-modelo e cantora foi classificada como "prostituta" em editorial do jornal ultraconservador iraniano Kayhan. O ataque não foi o único: a TV estatal iraniana chamou Carla de "imoral".

As ofensas vieram a público ontem. Em editorial, o jornal usa a palavra "prostituta" para descrever Carla como "mulher conhecida em seu país por ter parceiros demais". O texto lembra o passado da primeira-dama com o editor literário Jean-Paul Enthoven e com o filho dele, Raphael, com os quais teria mantido "relações imorais simultâneas". "A mídia ocidental, ao detalhar os numerosos antecedentes de imoralidade, implicitamente confirmou que ela merecia este título (de prostituta)."

As acusações foram seguidas de uma reportagem publicada pela agência INN sob o título: Prostitutas francesas participam de tumulto em torno dos direitos humanos. O texto afirma, sobre Carla, que "seus antecedentes mostram claramente por que esta mulher imoral manifestou seu apoio a uma mulher condenada por ter cometido adultérios e ter sido cúmplice do assassinato de seu marido". A reportagem também menciona a "atriz corrompida" Isabelle Adjani.

Campanha. Os textos são uma represália à campanha iniciada por Carla contra a morte por apedrejamento de Sakineh, cuja sentença está suspensa desde julho. Ontem, o Palácio do Eliseu não se manifestou sobre as críticas da imprensa iraniana.

Além da primeira-dama da França, personalidades como o ex-presidente Valéry Giscard d"Estaing, a historiadora Simone Veil, o filósofo Bernard-Henri Lévy e o escritor de origem checa Milan Kundera também participam da campanha pela libertação de Sakineh, que vem crescendo na Europa.

Os termos empregados pela mídia iraniana em relação à campanha, entretanto, não são unânimes.

Outro veículo do país, o Asriran, reforçou críticas, mas apelou aos colegas jornalistas para que se mantenham corteses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.