EFE/Charlie Hebdo
EFE/Charlie Hebdo

Jornal do Vaticano critica capa do 'Charlie Hebdo' feita para a data de um ano de atentado

Segundo o L'Osservatore Romano, o jornal satírico francês desrespeita todas as religiões ao retratar Deus com um fuzil

O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2016 | 12h06

CIDADE DO VATICANO - O jornal do Vaticano criticou o semanário satírico francês Charlie Hebdo por ter retratado Deus como um assassino carregando um fuzil Kalashnikov em sua capa que marca um ano dos atentados a sede do jornal em Paris. A imagem é "lastimável" e um desrespeito aos verdadeiros seguidores de todas as crenças.

Em janeiro de 2015 militantes islâmicos mataram 12 pessoas após invadir a redação do Charlie Hebdo em Paris. A charge na capa desta semana, um ano depois do ataque, mostra um Deus com raiva, sangue nas mãos e um fuzil nas costas. "Um anos depois, o assassino continua solto", diz a manchete.

O jornal do Vaticano L’Osservatore Romano acusou o Charlie Hebdo de buscar "manipular" a fé. "Por trás de uma enganosa bandeira de secularismo descompromissado, o semanário francês mais uma vez esquece aquilo que os líderes de todas as fés têm pedido há anos: a rejeição à violência em nome da religião, usar o nome de Deus para justificar o ódio é uma blasfêmia genuína", disse o jornal em um breve comentário.

"A atitude do Charlie Hebdo expõe o triste paradoxo de um mundo cada vez mais sensível em relação a ser politicamente correto ao ponto de ser ridículo, mas não quer reconhecer ou respeitar a fé de quem acredita em Deus, independentemente de sua religião", acrescenta o comunicado.

O semanário francês, famoso por suas capas satíricas ridicularizando líderes políticos e religiosos, perdeu vários integrantes de sua cúpula editorial no ataque em 7 de janeiro de 2015.

Após o ataque, o papa Francisco se posicionou a respeito da atitude do Charlie Hebdo. "Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode zombar da fé", disse ele a jornalistas durante uma turnê pela Ásia. O Vaticano depois emitiu um comunicado no qual afirmou que as declarações do papa não tinham a intenção de justificar os ataques. /REUTERS

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