Jornal italiano lamenta morte de fotógrafo

Os colegas e amigos do repórter-fotográfico Raffaele Ciriello receberam nesta quarta-feira, com incredulidade e indignação, a notícia de sua morte em Ramallah, alvejado por uma rajada de metralhadora de um tanque israelense.Ciriello era um fotógrafo free lancer, daqueles que arriscam sua vida para vender suas fotos, mas colaborava frequentemente com o Corriere della Sera, que o contratou para trabalhar nos territórios, como explicou nesta quarta-feira o diretor do jornal Ferrucio de Bortoli.Para o diário de Milão, foi a segunda vítima em pouco tempo: a primeira foi Maria Grazia Cutili, enviada ao Afeganistão e assassinada junto com três colegas, em 19 de novembro do ano passado.Ciriello trabalhou com ela e a havia fotografado, como também fotografou Ilaria Alpi, uma jornalista da RAI morta numa emboscada na Somália em 1996. Ciriello começou sua carreira cobrindo corridas de motocicletas e rallies africanos, em especial o Paris-Dacar.Depois, cada vez que emergia um conflito, Ciriello estava presente para dar seu testemunho com sua câmera e também com comentários, como o último, para a Rádio 24, a rádio do diário econômico milanês Il Sole 24 Ore.Durante a transmissão, o repórter-fotográfico denunciou que era "evidente a vontade de manter a imprensa distante do que está acontecendo", e acrescentou que há uma semana estava tentando sem sucesso acompanhar as operações militares israelenses."Na maioria das vezes, os métodos para nos manter a distância são um férreo posto de controle ou uma rajada de metralhadora", disse. No Corriere della Sera, o ambiente era novamente de luto, depois do anúncio do diretor na reunião da redação, dando conta que haviam perdido outro colega.O Comitê de Redação do diário emitiu um comunicado, pedindo que a morte do repórter seja um estímulo maior para informar, denunciar e condenar os responsáveis por ela. As notícias dos últimos dias, afirma o comunicado, "demonstram claramente a vontade das autoridades israelenses de intimidar quem queira documentar e dar a conhecer ao mundo a atitude assumida pelo exército do premier Sharon contra os civis incluindo, mulheres e crianças".O duríssimo comunicado dos jornalistas do Corriere della Sera se encerra condenando "os militares responsáveis pelo assassinato" e expressa o desejo de que "um tribunal internacional possa muito em breve fazer justiça em relação a esse e a outros crimes de guerra perpetrados no Oriente Médio por ambas partes".

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