Jornal liberal britânico apoia socialista

Em editorial, o jornal britânico Financial Times, de caráter liberal, não apenas refutou o temor sobre o futuro da França pregado pelo presidente Nicolas Sarkozy como criticou o atual governo e, o mais surpreendente, apoiou François Hollande.

PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h04

"Quanto mais as condições econômicas se tornam duras, mais os grande profetas da austeridade fiscal devem ficar isolados", advertiu o FT, em alusão a Sarkozy. "Logo, é encorajador que um número crescente de políticos, incluindo Hollande, defenda uma estratégia de crescimento para a Europa."

Encurralado, Sarkozy decidiu rebater as colocações em tom agressivo. "Se eles não estão de acordo comigo, isso me deixa feliz, porque eu não estou de acordo com eles", afirmou, colocando a rivalidade entre França e Grã-Bretanha na discussão.

"O FT nos explica que é preciso fazer exatamente o que faz a Grã-Bretanha, que está em uma situação econômica muito pior do que a França. Eu aceito que nos deem lições, mas não eles."

Na sexta-feira, o jornal respondeu em novo editorial, intitulado "Nós também não te amamos, Sarkozy". "A economia francesa é tão sólida aos olhos do presidente que ele advertiu os franceses sobre um cenário 'à grega' se seu rival socialista for eleito", ironizou o jornal, completando à moda inglesa: "Há meses nenhuma pesquisa dá Sarkozy como vencedor".

Todas as últimas cinco pesquisas de opinião, dos institutos TNS-Sofres, CSA, OpinionWay, LH2 e BVA, confirmaram o crescimento do socialista e a queda do presidente. Segundo a última delas, do TNS, Hollande lidera o primeiro turno com 28%, enquanto Sarkozy tem 26% - três pontos a menos que na semana passada.

No segundo turno, o placar seria de 56% a 44% - uma surra de Hollande, comparado o histórico dos enfrentamentos entre esquerda e direita na França. "Hollande se beneficia de excelente transferência de 81% dos votos dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon (Frente de Esquerda, radical), assim como de um apoio de 43% dos eleitores de François Bayrou (Movimento Democrático, centro)", explica o cientista político Édouard Lecerf.

Duelo. Hoje, os dois candidatos fazem seus maiores comícios de campanha, na Place de la Concorde, para o candidato da direita, e no Castelo de Vincennes, para o da esquerda. O "duelo de Paris", como vem sendo chamado, é considerado uma das últimas chances de Sarkozy de reverter a tendência e ainda vencer o primeiro turno, decisivo para sua estratégia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.