Jornal mexicano pede trégua a narcotraficantes

O principal meio de imprensa da cidade fronteiriça mexicana de Ciudad Juárez publicou ontem um editorial, enviando uma mensagem aos diferentes grupos que disputam o controle do tráfico de drogas na área, pedindo uma trégua aos criminosos. O jornal El Diario pediu aos grupos do narcotráfico que expliquem que informação exatamente eles desejam que chegue à comunidade em geral. Em troca, o diário pede que não sejam mais atacados seus jornalistas ou suas instalações.

AE-AP, Agência Estado

20 de setembro de 2010 | 15h05

O jornal afirma que os criminosos são "as autoridades de facto" no momento na cidade e lamenta o fato de vários jornalistas terem morrido em Ciudad Juárez, próxima dos Estados Unidos. Na semana passada, dois jornalistas da empresa foram atacados e um deles, Luis Carlos Santiago Orozco, morreu. Em 2008, um repórter policial, Armando Rodríguez, foi morto em frente a sua casa. No ano seguinte, um agente federal que investigava o ataque a Rodríguez também foi assassinado.

"Somos comunicadores, não adivinhos. Portanto, como trabalhadores da informação, queremos que nos expliquem o que é que querem de nós, que é que pretendem que publiquemos ou deixemos de publicar, para saber a que nos ater", afirma o editorial. "O que queremos é que não sigam nos usando como bucha de canhão nesta guerra, porque estamos fartos", explicou ontem o diretor-geral do jornal, Pedro Torres Estrada. Ele disse esperar uma resposta nos próximos dias. O editorial afirma que não se trata de uma "rendição", mas de um pedido de trégua.

Pelo menos 22 jornalistas mexicanos foram assassinados nos últimos quatro anos no país, pelo menos sete desapareceram e outros fugiram do México, segundo um informe recente do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês), sediado em Nova York.

A violência do crime organizado aumentou desde dezembro de 2006, quando o presidente Felipe Calderón lançou uma guerra contra os cartéis do narcotráfico, com o envio de dezenas de milhares de soldados e policiais federais em várias partes do país. Desde então, mais de 28 mil pessoas morreram como resultado da violência.

Ciudad Juárez, que faz fronteira com a cidade texana de El Paso, nos EUA, tornou-se uma das cidades com mortes mais violentas do mundo, em meio a uma luta de dois anos entre os cartéis de Juárez e Sinaloa, segundo autoridades. Mais de quatro mil pessoas morreram na cidade de 1,3 milhão de habitantes nesses dois anos.

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