Jornal publica trechos de última reportagem de repórter russa assassinada

A revista quinzenal "Novaya Gazeta" publica trechos da última reportagem da jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada no sábado passado em sua casa, que inclui fotografias de torturados na Chechênia. A reportagem, cujo conteúdo havia sido antecipada por Politkovskaya, numa entrevista concedida em 5 de outubro à "Rádio Liberdade", deveria ter sido publicada na segunda-feira passada, mas a morte da jornalista o impediu. O texto inclui depoimentos de várias vítimas, que contaram à jornalista como foram seqüestradas e torturadas pelos membros dos serviços de segurança do primeiro-ministro checheno, Ramzan Kadyrov. As imagens, quatro no total, mostram um russo e um checheno seqüestrados, torturados e assassinados, acusados de pertencer à guerrilha separatista chechena. Politkovskaya denunciou que as autoridades chechenas apresentaramos dois seqüestrados como rebeldes que tinham morrido em combatescom as forças leais a Kadyrov. Na realidade, eram civis que morreram torturados. Outro trecho reproduz o diálogo em dialeto checheno entre dois dos torturadores, que registraram as imagens. "Kadyrov é o Stalin de nossa era", dizia Politkovskaya, a vozmais crítica do "homem forte" da Chechênia e da política do presidente russo, Vladimir Putin, no Cáucaso. Politkovskaya trabalhava para a revista desde 1999. Nos próximos números, a publicação revelará novos trechos da reportagem. Em sua última entrevista, a jornalista denunciava que na primeira metade deste ano houve mais seqüestros que nos primeiros seis meses de 2005. Politkovskaya foi enterrada na terça-feira, num funeral em que compareceram parentes, políticos, ativistas e diplomatas. Eles exigiram do Kremlinuma investigação exaustiva do assassinato da jornalista.

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