Jornal questiona lealdade das forças de elite de Saddam

As forças de elite da Guarda Republicana do Iraque podem não ser convocadas para proteger Saddam Hussein na eventualidade de um ataque americano - por medo de que possam se voltar contra ele, de acordo com uma reportagem publicada hoje no jornal britânico The Guardian.De acordo com o diário, o líder iraquiano está determinado para manter suas tropas de choque fora de Bagdá, onde seus tanques e armamentos pesados poderiam ser usados para derrubar o regime em vez de defendê-lo. Isso porque o presidente Saddam não tem certeza da lealdade da Guarda, segundo uma fonte não-iraquiana com contatos nas altas esferas de Bagdá ouvida pelo jornal. "Não se sabe por quem eles combatem", disse a fonte, que pediu para não ser identificada."O corpo de oficiais da Guarda Republicana é altamente treinado e motivado, mas eles odeiam Saddam Hussein. E também odeiam os Estados Unidos. Têm suas próprias idéias políticas e de forma alguma permitiriam que eles venham com seus blindados para o centro da cidade", afirmou a fonte ao diário.Atualmente, a ONU está batalhando para encontrar um meio de obrigar o regime iraquiano a render-se a uma nova rodada de inspeções de armas, num esforço desesperado para evitar a guerra. Se isso falhar, o Iraque já deixou bem claro que seu objetivo é atrair as forças invasoras americanas para a guerra urbana e as autoridades costumam invocar as lembranças de batalhas urbanas anteriores em Beirute e Mogadishu.De acordo com o Guardian, a idéia no Iraque seria maximizar as baixas tanto entre militares americanos quanto civis iraquianos, o que aumentaria os riscos políticos para os Estados Unidos.Mas a Guarda Republicana, segundo a reportagem, não terá permissão para se juntar à luta nas ruas dentro de Bagdá. Suas forças seriam mantidas longe do centro, defendendo as três rotas de acesso à capital, onde estariam à mercê dos bombardeios americanos.O diário britânico informa que a Guarda, composta de 50 mil a 60 homens, foi originalmente estabelecida como um contrapeso ao Exército regular, para proteger o regime iraquiano, particularmente o palácio presidencial em Bagdá.Cresceu muito durante a guerra de 1980-88 com o Irã, assumindo um papel mais amplo como força de elite.Embora altamente privilegiada e bem-equipada quando comparada com o Exército regular, tornou-se menos confiável por causa de várias tentativas de golpe envolvendo oficiais da guarda. Uma conspiração que foi desmascarada em 1990, dois meses antes da data em que deveria acontecer, contava com a participação de um general do cidade natal do presidente Saddam, Tikrit. Um membro da própria tribo do líder iraquiano foi preso, também, e libertado mais tarde.Isso levou a uma expansão, criando-se a Guarda Republicana Especial de super elite, que agora é a única grande força suficientemente confiável para operar na região central de Bagdá. Os membros dessa guarda vêm principalmente de regiões do Iraque conhecidas pela sua lealdade ao presidente Saddam, entre elas Tikrit. Vários de seus oficiais superiores são originários da própria família de Saddam.A função principal da Guarda Especial é proteger o líder do Iraque, seus parentes e seus palácios. Por causa da natureza de seus deveres, usa armamentos mais leves do que os da Guarda Republicana. A Guarda Especial é também menor que a Republicana, contando com uma força usual de 12 mil a 15 mil homens que podem ser aumentada para 25 mil em emergências.

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