REUTERS/Jorge Silva
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Jornal venezuelano deixará de circular por falta de papel

De acordo com o 'El Carabobeño', sediado na cidade de Valencia, o governo nega ao veículo desde 2013 a aquisição de divisas para 'concretizar a importação de papel, processo que a empresa desenvolvia há 40 anos'

O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 18h19

CARACAS - O jornal regional venezuelano El Carabobeño deixará de circular a partir do dia 17, após 82 anos de publicação, devido à falta de papel, informou nesta sexta-feira, 11, o próprio veículo, que afirma que a fábrica estatal não vende o material à empresa há um ano.

"El Carabobeño, em seu formato impresso, se despedirá a partir do dia 17 de março. A razão é única: Não há papel. A empresa socialista que monopoliza a venda deste material vital para a circulação dos veículos de comunicação, o Complejo Editorial Alfredo Maneiro, não nos vende a matéria-prima há um ano", afirmou a corporação em comunicado.

De acordo com o jornal, sediado na cidade de Valencia, o governo nega ao veículo desde 2013 a aquisição de divisas para "concretizar a importação de papel, processo que a empresa desenvolvia há 40 anos".

Na Venezuela rege desde 2003 um controle estatal de câmbio que impede a livre compra e venda de divisas, administradas de maneira exclusiva pelo governo.

"Em 82 anos e apesar de ter passado por duas ditaduras, jamais este jornal viveu um assédio tão intenso e definitivo, impulsionado do governo regional, como o que vivencia neste triste episódio do socialismo do século 21", disse o veículo.

O jornal alega que se viu obrigado a "concentrar esforços na plataforma digital", onde exercerá o jornalismo "com o compromisso de manter a sociedade informada e com total apego à verdade".

Em seu site oficial, El Carabobeño pediu aos venezuelanos que façam hoje um "tuitaço" - manifestação pela rede social Twitter - a favor do jornal com a hashtag #YoSoyCarabobeño ("Eu sou Carabobeño").

Vários jornais venezuelanos denunciaram dificuldades para negociar divisas e comprar papel devido ao atraso na aprovação oficial dos recursos, o que levou alguns veículos de comunicação regionais a suspender ou reduzir a circulação.

Segundo a ONG Espacio Público, 13 jornais saíram de circulação na Venezuela e outros 17 tiveram de reduzir as dimensões das folhas, limitando tanto os espaços de publicidade como a informação devido à dificuldade para importar papel.

Segundo afirmou em abril de 2015 o comissário presidencial para empresas ocupadas pelo Estado, Juan Bautista Arias, a estatal Papelera de Venezuela - Corporación Maneiro tinha previsto investir US$ 400 milhões para aumentar a produção e encerrar o persistente problema de escassez de papel sofrido pelo país. / EFE

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