Jornal venezuelano 'Tal Cual' tem papel até dia 22

Para SIP, 'cerco' dogoverno Maduro contra meios de comunicação críticos ao chavismo 'está se fechando'

MIAMI, EUA, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h03

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) advertiu ontem que o "cerco" aos meios de comunicação críticos ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, "está se fechando quase completamente". A afirmação do organismo que reúne os maiores jornais do continente foi feita depois de o diário venezuelano Tal Cual anunciar que tem papel para funcionar apenas até o dia 22.

Diretores de jornais independentes na Venezuela têm alertado para o fato de que, desde fevereiro, quando a estatal Complexo Editorial Alfredo Maneiro passou a monopolizar a importação de papel-jornal, não conseguem comprar o produto ou enfrentam dificuldades para adquiri-lo. Anteriormente, os representantes dos veículos de comunicação reclamavam que o governo não lhes concedia os dólares necessários para a importação do insumo.

No editorial em que denunciou a falta de papel, publicado na quarta-feira, o Tal Cual declarou que "está vivendo momentos sumamente difíceis", afirmando que "a ameaça de fechamento é real".

A ONG Instituto Imprensa e Sociedade da Venezuela (Ipys, na sigla em espanhol) tem recebido reclamações sobre dificuldades dos jornais venezuelanos em adquirir papel desde agosto de 2013, quando os veículos ainda podiam comprar o insumo de maneira mais independente. Segundo os dados mais recentes do Ipys, desde então, dez veículos impressos deixaram de circular - seis deles, definitivamente.

"A iminência de encerramento da atividade do Tal Cual está fechando quase completamente o cerco à imprensa crítica e independente na Venezuela", afirmou em um comunicado o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo, criticando a "inação dos governos integrantes da Organização dos Estados Americanos ante esse gravíssimo atentado do regime autoritário chavista".

Paolillo lembrou que "outros jornais já cessaram suas operações", ressaltando a mudança de linha editorial de jornais como El Universal e os veículos da antiga Cadena Capriles, que, após serem vendidos, abandonaram ou amainaram suas críticas contra o governo Maduro.

O diretor da SIP mencionou a situação do jornal El Nacional, que reduziu sua tiragem e mais de 40% de suas páginas, diminuindo sua edição para dois cadernos, para não fechar em razão da falta de papel. O presidente do Nacional, Miguel Henrique Otero, diz que não conseguiu comprar papel nenhuma vez este ano e afirma que o jornal tem o insumo para circular até dezembro. / EFE e AFP

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