Jornalismo vira atividade de risco em Ciudad Juárez

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Por AE
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Desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra aos cartéis, em dezembro de 2006, 6,5 mil pessoas morreram em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA. Nos últimos três anos, 230 mil deixaram a cidade, 20 mil casas foram abandonadas e 10 mil crianças ficaram órfãs. No meio do fogo cruzado estão dezenas de jornalistas que relatam o cotidiano de violência.Na cidade mais perigosa do mundo, o mero exercício da profissão tornou-se um risco mortal. "São 23h50. Acabei de relatar dez crimes em menos de seis horas. Durante todo o dia morreram 15 pessoas. Na maioria dos casos, cheguei antes das forças da ordem. Para conseguir, escutei os diálogos truncados do rádio da polícia, que é constantemente monitorado por jornalistas", escreve Judith Torrea, jornalista freelancer, numa premiada reportagem sobre a violência em Ciudad Juárez."O rádio também é usado pelos traficantes, que ocasionalmente anunciam a autoria de crimes interrompendo o sinal ao som de corridos mexicanos (um gênero de música popular): algumas músicas são as preferidas do cartel de Juárez, outras do de Sinaloa", conta Judith, que escreve em seu blog "Ciudad Juárez, à sombra do narcotráfico".Ainda que acuados, os jornalistas da cidade prometem continuar cobrindo a violência ao longo da fronteira do México com os EUA, mesmo depois de pistoleiros terem executado Luis Carlos Santiago Orozco, de 21 anos, fotógrafo do jornal El Diario, na semana passada.O assassinato foi manchete de todos os jornais do México. Calderón condenou a morte de jornalistas, mas não divulgou nenhuma nova informação sobre os assassinos do fotógrafo. A morte de Santiago Orozco, executado em um estacionamento de shopping em plena luz do dia, ocorreu dois anos após o assassinato de Armando Rodríguez, repórter do Diario, executado na porta de casa quando saía para levar sua filha para a escola. O crime permanece impune e as investigações não avançaram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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