Jornalista acusado de espionagem é julgado na China

O jornalista Ching Cheong, de Hong Kong, detido há mais de 16 meses acusado de espionar para Taiwan, foi julgado numa rápida audiência a portas fechadas num tribunal de Pequim, informou o diário South China Morning Post. O julgamento aconteceu na terça-feira e, desde então, o jornalista está em local desconhecido, disseram os diretores do The Straits Times,jornal de Cingapura para o qual ele trabalhava. Mary Lau, mulher de Ching, que em Hong Kong lidera os protestos contra a detenção de seu marido, afirmou que confia em sua pronta libertação. Na ex-colônia britânica, hoje região administrativa especial chinesa, a Associação de Jornalistas reuniu cerca de 100 pessoas que exigiram numa vigília um julgamento justo e aberto para Ching. O repórter foi detido em abril de 2005 na cidade de Cantão, onde pretendia obter fitas gravadas pelo ex-líder comunista Zhao Ziyang, expurgado após ficar ao lado dos estudantes no massacre de Praça da Paz Celestial em 1989. Ching passou dois meses desaparecido, até a agência oficial de notícias chinesa Xinhua publicar que ele tinha confessado ter criado canais de comunicação para o serviço secreto de Taiwan, ao qual supostamente tinha vendido segredos de Estado. O repórter pode ser condenado a penas de cinco a oito anos de prisão, comentou Ong Yew-Kim, analista legal da Universidade de Hong Kong. Na sua opinião, as autoridades devem ter evidênciassuficientes, depois de mais de um ano de pesquisas. É o segundo repórter de um órgão estrangeiro detido na China ultimamente. Zhao Yan, colaborador do The New York Times em Pequim, também foi detido por "revelar segredos de Estado" apósconseguir a notícia exclusiva da aposentadoria do ex-presidente da Chin Jiang Zemin. Zhao foi julgado em junho mas continua aguardando uma sentença.

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