Jornalista britânico admite tentar interceptar mensagens reais

O especialista em família real do jornal sensacionalista britânico News of the world, Clive Goodman, se declarou culpado em um tribunal londrino ao conspirar para interceptar mensagens telefônicas da realeza britânica, nesta quarta-feira. Além do veterano jornalista, Glenn Mulcaire, outro acusado no caso, de 35 anos, admitiu o mesmo crime de conspiração para captar mensagens particulares e outras cinco acusações de interceptar mensagens de voz de várias pessoas. Entre as personalidades cujas mensagens Mulcaire interceptou estão o publicitário Max Clifford, representante de muitas celebridades no Reino Unido, o representante do jogador Sol Campbell, Andrew Skylet, o presidente da Associação de Jogadores Profissionais, Gordon Taylor, o deputado Simon Hughes e a modelo Elle Macpherson. O advogado de Goodman, John Kelsey-Fry, disse ao tribunal que seu cliente desejava apresentar publicamente desculpas aos membros da realeza afetados. "Ele aceita que (suas ações) foram uma grave invasão de privacidade" e, portanto, deseja "pedir desculpas sem reservas para os três membros do pessoal da Casa Real envolvidos e seus chefes, o príncipe William, o príncipe Harry e o príncipe de Gales", afirmou Kelsey-Fry. Posteriormente, o diretor de News of the world, Andy Coulson, também pediu desculpas à Família Real após reconhecer que os atos de seu funcionário "foram totalmente equivocados". "Como diretor do jornal, sou responsável pela conduta dos meus repórteres", disse, e acrescentou que tomou medidas para garantir que fatos como estes não se repitam. Coulson indicou que escreveu ao secretário particular do príncipe Charles, Michael Pe´at, informando das mudanças e anunciando o compromisso do jornal de fazer "doações substanciais" a organizações de caridade favorecidas pelo herdeiro ao trono. Por sua parte, o presidente da Comissão de Queixas sobre a Imprensa, Christopher Meyer, condenou o uso de escutas em casos nos quais não haja um claro interesse nacional e disse que a entidade acompanhará de perto a evolução do julgamento para introduzir possíveis mudanças no código ético dos jornalistas. O juiz do tribunal penal de Old Bailey aceitou o pedido da defesa para que Goodman continue em liberdade sem fiança, enquanto adiou o caso até uma próxima data ainda não definida. Goodman, de 48 anos, foi detido na metade do ano junto com Mulcaire e um terceiro indivíduo, que foi liberado sem acusações, depois de funcionários do príncipe Charles denunciarem irregularidades na rede telefônica. Após a prisão, Goodman, conhecido por suas exclusivas espetaculares sobre a Família Real, foi suspenso temporariamente de emprego no News of the world, o jornal mais vendido do país e "irmão" do The Sun.

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 00h26

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