Jornalista chilena é premiada por trabalho durante ditadura

A jornalista chilena Mónica González Mujica foi premiada pela Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) e a empresa chilena Cemex, por seu trabalho durante a ditadura do general Augusto Pinochet, informou neste sábado a FNPI.O conselho da FNPI, que tem sede na cidade colombiana de Cartagena, afirmou em um comunicado que a jornalista foi declarada vencedora do prêmio anual na modalidade "Homenagem em Vida".O prêmio, um total de 30 mil dólares, será entregue na próxima terça-feira, dia 22 de agosto, no Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, no México.O júri foi formado por Tomás Eloy Martínez e Horácio Verbitsky (Argentina), Rosental Alves e Geraldinho Vieira (Brasil), Joaquín Estefanía (Espanha), Susan Meiselas (Estados Unidos), Alma Guillermoprieto e Carlos Monsivais (México), Sergio Ramírez (Nicarágua) e Javier Darío Restrepo e Germán Rey (Colômbia)."A escolha ressalta a extraordinária e valente trajetória de uma das mais importantes jornalistas de investigação do continente; alguém que defendeu suas convicções jornalísticas e políticas, em meio às circunstâncias mais difíceis", apontou o júri.O texto lembra ainda que González Mujica "enfrentou perseguições, prisões e torturas durante a ditadura de Augusto Pinochet por seguir uma linha de jornalismo crítico e ético".CarreiraA jornalista trabalhava na revista Ahora, em 1973, quando Pinochet deu o golpe de Estado contra o presidente socialista Salvador Allende.González Mujica teve que se exilar em Paris em 1978, quando era perseguida pela Central Nacional de Inteligência (CNI) do Chile. Mais tarde escreveu nas revistas Cauce e Análisis, nas quais publicou várias reportagens e investigações, o que lhe rendeu outras prisões. Trabalhou como correspondente de periódicos como Clarín, da Argentina; Tiempo, da Espanha e Der Spiegel, da AlemanhaA jornalista foi premiada em 1985 pela Comissão de Direitos Humanos da Espanha; em 1987 pela Universidade de Harvard (Estados Unidos), em 2001 pela Universidade de Columbia, e em 2006 pela Universidade de Tel-Aviv.O conselho do prêmio é presidido pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura em 1982, e pelo diretor da multinacional mexicana, Lorenzo Zambrano.

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