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Jornalista completa 10 dias de jejum contra Justiça da Venezuela

Detido por publicar sátira a altas funcionárias de Hugo Chávez, editor de semanário foi transferido para hospital militar

CARACAS, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h07

CARACAS - Preso desde 30 de agosto por ter publicado uma montagem e um texto que ironizavam altas funcionárias do governo de Hugo Chávez, comparando-as com dançarinas de um cabaré comandado pelo presidente, o jornalista Leocenis García - diretor do semanário venezuelano 6.º Poder -, foi transferido para um hospital militar na quarta-feira à noite. Segundo seu advogado, o editor-chefe da publicação, que hoje completa 10 dias de greve de fome, foi removido "à força".

"Durante a noite (da quarta-feira), retiraram-no de forma violenta (da sede do Serviço Bolivariano de Inteligência, onde estava detido). Ele foi sequestrado e levado ao hospital militar (de Caracas), que aqui na Venezuela chamamos de 'hospital da morte'", afirmou Pedro Aranguren, lembrando do caso do agricultor Franklin Brito que, no fim de agosto de 2010, morreu no mesmo centro de saúde, durante sua oitava greve de fome em protesto pela expropriação de suas terras.

Aranguren disse temer a possibilidade de que apliquem em García "substâncias que possam prejudicar sua vida".

O 6.º Poder publicou no dia 20 de agosto uma fotomontagem que retratou como dançarinas de cancan as presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, da Ouvidoria Pública, da Controladoria-Geral, da Promotoria e do Conselho Eleitoral, além da vice-presidente da Assembleia Nacional. No texto que acompanhou a imagem, as funções delas e de "Mr. Chávez" no "Cabaret La Revolución" foram descritas de maneira satírica.

No dia seguinte, a jornalista Dinorah Girón, diretora do veículo, foi presa por instigação ao ódio e injúria - as mesmas acusações atribuídas a García -, mas acabou solta sob liberdade condicional.

A juíza Denise Bocanegra deferiu as denúncias do Ministério Público, que interpretou como ofensiva a mulheres e funcionárias públicas a ironia do semanário. O jornal ficou proibido de circular até 30 de agosto, quando o editor-chefe se entregou ao serviço secreto venezuelano.

Com a greve de fome, García exige a retirada dos indiciamentos ou as renúncias da presidente do Supremo, Luisa Estella Morales, e da procuradora-geral de Justiça, Luisa Ortega Díaz - duas das mais ilustres "dançarinas" do 6.º Poder.

A responsabilidade pela publicação foi entregue à jornalista Patricia Poleo, que se exilou nos EUA em 2005, após ser acusada de participar do planejamento do assassinato do promotor Danilo Anderson - morto enquanto investigava a fracassada tentativa de golpe contra Chávez em 2002.

A Sociedade Interamericana de Imprensa e a Conferência Episcopal da Venezuela manifestaram preocupação com a saúde de García. A organização internacional Repórteres sem Fronteiras exige sua libertação "sem demora". / EFE e AFP

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