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Jornalista crítico do kirchnerismo é deportado da Venezuela

'De cima, te mandam dizer que isso aqui não é uma colônia', disse a ele uma agente chavista

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 15h44

BUENOS AIRES - Um dos principais jornalistas investigativos da Argentina Jorge Lanata foi deportado após ser impedido de entrar na Venezuela para fazer reportagens no país sobre as eleições para a Assembleia Constituinte de Nicolás Maduro. "De cima, te mandam dizer que isso aqui não é uma colônia", disse a ele uma agente chavista ao comunicá-lo que não poderia ingressar no país, segundo reportagem do jornal argentino Clarín

Lanata viajava com a equipe de seu programa Jornalismo Para Todos (PPT, na sigla em espanhol). "Nos proibiram a entrada com base em nada, porque não há nenhum motivo", disse Lanata, em entrevista ao canal TN, depois de passar oito horas incomunicável. O governo venezuelano não se pronunciou sobre o caso.

O jornalista detalhou ao canal TN que agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), alguns armados, o retiveram. "É muito difícil discutir com gente que recebe ordens", afirmou. Ele relatou ainda uma situação peculiar, afirmando que enquanto agentes do Sebin o interrogavam duramente, policiais pediam desculpa a ele a sua equipe. 

"Nos tiraram do setor de Imigração, pegaram nossos celulares, nos separaram e nos deixaram incomunicáveis. Nos fizeram um interrogatório muito duro, com oito efetivos armados ao nosso redor", contou o jornalista. 

De acordo com a imprensa argentina, é a segunda vez que o governo Nicolás Maduro detém Lanata e sua equipe. Em 2012, agentes do Sebin os detiveram por várias horas e os liberaram após apagar o material jornalístico que haviam filmado durante uma breve estada na Venezuela, afirmou o Clarín

Esses casos, porém, não são isolados. O Clarín lembrou que na semana passada o chanceler venezuelano, Samuel Moncada, fez ataques ao jornal e a outros meios internacionais por informar sobre o referendo opositor. Em abril, enquanto o canal TB transmitia as marchas contra Maduro e informava sobre a morte de manifestantes, o governo venezuelano interrompeu a transmissão de seu sinal no país. Também houve registro de casos de censura contra o jornal El Tiempo, da Colômbia, CNN, TV Azteca, CAPA, El País, entre outros. 

A deportação de Lanata foi condenada pela Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa), a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e pelo relator da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, Edison Lanza. / COM EFE 

 

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