Heather Rousseau/The Roanoke Times via AP
Heather Rousseau/The Roanoke Times via AP

Jornalista cuja namorada foi assassinada ao vivo derrota candidato da NRA nos EUA 

Campanha de Chris Hurst, no entanto, não focou no controle de armas; imagens do assassinato durante a transmissão foram assistidas por todo o mundo

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 19h28

Dois anos após sua namorada de 24 anos ter sido baleada e morta, ao vivo na TV, um democrata da Virgínia derrotou nas eleições de terça-feira o opositor que tinha o apoio da Associação Nacional do Rifle (NRA) na corrida por uma vaga na legislatura estadual.  

Chris Hurst é um ex-âncora de um canal de notícias e sua namorada e colega de trabalho, Alison Parker, foi morta enquanto fazia uma transmissão em 2015. Ele derrotou Joseph Yost na disputa pela cadeira do 12º Distrito na Assembleia do Estado. 

Hurst foi o único candidato da Assembleia da Virgínia endossado pelo grupo ativista contra as armas Everytown for Gun Safety. No entanto, ele não fez do controle de armas uma questão central de sua campanha, apesar de concorrer contra Yost, um candidato que já estava no seu terceiro mandato e tinha total apoio da NRA. Hurst focou em questões como saúde mental, assim como financiamento para assistência de saúde e de educação. 

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O jornalista se descreveu como um proprietário de armas e apoiador da Segunda Emenda, mas disse que tinha a intenção de tentar "reduzir os homicídios, suicídios e mortes acidentais com armas". 

Em uma entrevista nesta quarta-feira de manhã, Hurst, de 30 anos, disse estar "humilde e impressionado" por sua vitória. Ele disse que antes da morte de Alison, nunca havia tido qualquer aspiração política. 

"Nossa campanha realmente tentou não focar no que aconteceu comigo", disse. "Apenas na medida que eu precisava explicar aos eleitores porque eu estava concorrendo e deixando para trás um emprego com um bom salário e uma carreira que eu amava." 

Ainda com a vitória recente, ele disse que parou para pensar o que Alison acharia de sua nova carreira. "Acho que ela estaria muito orgulhosa", disse. "E eu continuo muito orgulhoso dela." 

A repórter e o câmera Adam Ward estavam fazendo uma transmissão ao vivo quando foram fatalmente atingidos por disparos feitos por Vester Lee Flanagan II, que havia trabalhado como repórter no mesmo canal que eles, a WDBJ em Roanoke, Virgínia. As imagens foram transmitidas pelo mundo todo, pelas redes sociais, após Flanagan postá-las em seu Facebook, antes de se matar. 

"Ela era a mulher mais radiante que eu já conheci", escreveu Hurst logo após o incidente. "E por alguma razão ela também me amava." 

A vitória foi mais uma dos democratas da Virgínia, onde Ralph Northam derrotou o indicado republicano, Ed Gillespie, na corrida para governador. Hurst foi dos 1 dos 14 democratas a retomar cadeiras de republicanos na legislação local. / NYT 

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