Jornalista diz que táticas não evitarão novas revelações

O jornalista britânico Glenn Greenwald, do The Guardian, disse neste domingo que táticas como a detenção por nove horas do companheiro dele, o brasileiro David Miranda, para questionamento no aeroporto de Heathrow, em Londres, não evitarão que continue fazendo revelações sobre a espionagem do governo dos Estados Unidos. Greenwald disse ainda que Miranda foi questionado sobre as reportagens relacionadas à Agência de Segurança dos EUA (ANS) feitas pelo jornalista.

AE, Agência Estado

18 de agosto de 2013 | 20h40

A polícia metropolitana de Londres confirmou que manteve das 8h às 17h, pelo horário local, deste domingo o brasileiro David Miranda, com base na lei Ato Terrorista, de 2000. Miranda vinha de um voo de Berlin para o Brasil. Em Berlim, estava com Laura Poitras, uma produtora de vídeo norte-americana que havia trabalhado com Greenwald nos artigos sobre a espionagem da agencia norte-americana.

Greenwald é um dos jornalistas para os quais o ex-funcionário da ANS Edward Snowden revelou documentos secretos sobre espionagem cibernética praticada pelos Estados Unidos, incluindo a governos de países parceiros. Snowden está na Rússia em local desconhecido desde 1º de agosto, quando recebeu asilo político. Antes disso, permaneceu em zona de trânsito no aeroporto de Moscou por cinco semanas, vindo de Hong Kong, quando os Estados Unidos o acusaram de espionagem criminosa.

Greenwald escreveu que Miranda foi questionado sobre as reportagens relacionadas à Agencia de Segurança dos EUA. "Eles utilizaram a lei antiterrorista por razões que não têm nada a ver com terrorismo: uma potente lembrança sobre quão frequentemente governos mentem quando dizem que precisam de poderes para parar os ''terroristas''".

Greenwald escreveu também que "se os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos acreditam que tais táticas irão evitar ou intimidar reportagens sobre o que tais documentos revelam, estão profundamente iludidos". "O resultado será o oposto: nos incentivar ainda mais", disse o jornalista. Fonte: Dow Jones Newswire e Associated Press.

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