Jornalista diz que Watergate pode acontecer de novo

Três décadas depois, as lições do caso Watergate foram esquecidas e um escândalo daquelas proporções pode acontecer novamente, afirmou nesta segunda-feira Ben Bradlee, o editor do The Washington Post que liderou a cobertura dos eventos que levaram à queda de um presidente dos Estados Unidos."As pessoas ainda tentam encobrir os fatos? Meu Deus, claro que sim!", afirmou Bradlee, ex-editor-executivo do jornal. "As pessoas mentem nesta cidade. Claro que há perigo", disse, referindo-se aos políticos de Washington.HerançaBradlee uniu-se, nesta segunda-feira, a Carl Bernstein e Bob Woodward, os jornalistas cujas provas sobre os desmandos do então presidente Richard Nixon deram ao jornal o Prêmio Pulitzer, para discutir as heranças do escândalo.O caso começou em 17 de junho de 1972, com a invasão dos escritórios do Comitê Nacional dos Democratas, no edifício Watergate, em Washington, e terminou mais de dois anos depois com a renúncia do 37º presidente dos EUA, Richard Nixon."Eu olho para o Congresso dos Estados Unido, olho para os políticos e não estou impressionado com o fato de eles não terem aprendido nada", afirmou Bradlee a uma platéia que compareceu ao Clube Nacional da Imprensa.?Garganta profunda?Especulações sobre a verdadeira identidade do "garganta profunda", a famosa fonte anônima de Woodward e Bernstein, foram revividas com a recente publicação de um livro pelo ex-aliado do presidente Richard Nixon John Dean, que afirma ter reduzido substancialmente sua lista de probabilidades.Em seu livro de 158 páginas, Dean inclui o nome de cinco pessoas que poderiam ter sido o "garganta profunda", entre elas o comentarista e ex-aliado de Nixon Pat Buchanan e Ron Ziegler, secretário de imprensa do ex-presidente.À época do escândalo, Dean testemunhou no Senado sobre os esforços de Nixon para acobertar o caso. Tempos depois, Nixon classificou seu ex-aliado de traidor. O próprio Dean permaneceu 127 dias preso por seus esforços para encobrir o Watergate.Por seu lado, Woodward e Bernstein mantêm silêncio sobre a verdadeira identidade da fonte. "Nosso trabalho é manter nossa palavra e é exatamente isso que vamos fazer", disse Woodward, acrescentando que a fonte só será revelada depois da morte dela ou no caso de ela os desobrigar da promessa de segredo. Perguntado se o "garganta profunda" continua vivo, Woodward respondeu: "Da última vez que chequei, sim".

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