AP Photo/Alexander Zemlianichenko
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Jornalista esfaqueada em Moscou foi vítima de um louco, segundo o Kremlin

Porta-voz do governo russo afirmou que a tentativa de vincular o caso com outro assunto, como a hostilidade em relação aos meios de comunicação críticos ao poder, ‘não é lógico e nem correto’

O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 10h08

MOSCOU - A jornalista russa Tatiana Felguenhauer, esfaqueada em Moscou, foi vítima de um louco e não da hostilidade em relação aos meios de comunicação críticos ao poder, afirmou o Kremlin nesta terça-feira, 24.

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"As ações de um louco são as ações de um louco", declarou a jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, assegurando que "tentar vincular este trágico acontecimento a outra coisa não é lógico e nem correto".

O sindicato de jornalistas russos lamentou a recente publicação de reportagens contra a rádio Eco de Moscou, para qual a jornalista trabalha, no canal público de informações Rossia-24, que divulga os pontos de vista do Kremlin.

"Achamos que esses temas alimentam o ódio contra nossos colegas e podem ter provocado o ataque contra Tatiana por um indivíduo desequilibrado", afirma o comunicado do sindicato.

Tatiana Felguenhauer foi esfaqueada na segunda-feira na redação da Eco por Boris Grits, um cidadão russo-israelense de 48 anos nascido na Abecásia e residente em Israel.

A jornalista está hospitalizada com um ferimento no pescoço. Ela foi operada e se encontra em estado grave, segundo fontes médicas e seu empregador.

A polícia privilegia a hipótese de um ataque pessoal do agressor contra a vítima e publicou um vídeo em que Grits faz comentários pouco coerentes, afirmando ter um "vínculo telepático desde 2012" com a vítima, e afirmando que ela "o perseguia sexualmente todas as noites por meio desse vínculo".

Depois do ataque, várias pessoas denunciaram o clima de ódio promovido pelo governo em relação à mídia independente. A rádio Eco de Moscou, a primeira rádio livre criada em 1990 antes da queda da URSS, passou para o controle do grupo público Gazprom em 2001, um ano depois da chegada de Vladimir Putin ao poder. A rádio consegue se manter como a principal emissora russa e oferece visões independentes em um setor onde os principais meios de comunicação estão sob controle. / AFP

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