Eloisa Lopez/ Reuters
Eloisa Lopez/ Reuters

Jornalista filipina deixa a prisão após pagamento de fiança

Crítica ao governo do presidente Rodrigo Duterte, repórter Maria Ressa teve de pagar fiança pela sexta vez após ser detida por ‘difamação cibernética’ em razão de um artigo publicado em 2012

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 05h20

MANILA - A jornalista filipina Maria Ressa, diretora do site Rappler, deixou a prisão nesta quinta-feira, 14, após o pagamento de fiança no valor de US$ 1,9 mil. Ela passou a noite detida em razão de uma acusação de “difamação cibernética” por uma reportagem publicada no ano de 2012.

"A mensagem é clara. É um abuso de poder e usando a lei como uma arma. Eles cruzaram outra linha vermelha, mas se eles querem me assustar, este não é o caminho", afirmou Ressa aos veículos de imprensa quando seguia para o tribunal onde pagaria a fiança.

Escolhida Personalidade do Ano pela revista "Time" em 2018, estava nesta quarta, 14, no escritório do "Rappler" - um site crítico ao governo do presidente Rodrigo Duterte - quando agentes do Escritório Nacional de Investigação chegaram na redação e lhe entregaram um mandato de prisão. A jornalista se entregou voluntariamente.

Embora o mandato tenha sido assinado por um juiz na última terça-feira, 12, as autoridades entregaram o documento a ela ontem, no final da tarde, quando a maioria dos tribunais estavam a perto de fechar. Com isso, a jornalista ficou impedida de pagar a fiança imediatamente e passou a noite detida.

O Departamento de Justiça apresentou denúncias por "difamação cibernética" contra o Rappler, Ressa - como diretora do meio - e o jornalista Reynaldo Santos, por uma matéria sobre o empresário Wilfredo Keng publicada no site em maio de 2012,.

Até o momento, nenhum mandado de prisão foi emitido contra Santos. O jornalista não trabalha mais no site.

Três promotores do Departamento de Justiça decidiram no mês passado a favor de Keng, que em outubro de 2017 apresentou uma denúncia pela reportagem, onde ele era vinculado a tráfico de drogas e de pessoas.

Keng apresentou sua queixa cinco anos depois da sua publicação na Divisão de Crimes Cibernéticos do Escritório Nacional de Investigação, que rejeitou o caso em fevereiro de 2018 por falta de base e porque já tinha passado o prazo de um ano para apresentar uma denúncia por difamação.

No entanto, o Departamento de Justiça reabriu o caso em março do mesmo ano, sob a justificativa que a reportagem continua na rede.

Este não é o único processo judicial que a jornalista enfrenta atualmente. Em novembro do ano passado, foi emitido um mandato de prisão por cinco crimes de evasão de impostos, contra a Rappler como empresa e contra ela, como pessoa física.

Maria Ressa escapou da prisão com o pagamento de cinco fianças - a desta quinta-feira foi a sexta - e os casos estão pendentes de julgamento. A jornalista nega todas as acusações e afirma que as denúncias fazem parte de uma perseguição política do governo de Duterte. \ EFE

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