Jornalista francês é ferido a bala na Cisjordânia

Um cinegrafista francês foi ferido a bala na entrada de um campo de refugiados no norte da Cisjordânia, enquanto que em Belém, soldados israelenses confiscaram videoteipes de dois jornalistas estrangeiros. Estes são apenas alguns dos vários incidentes envolvendo forças de Israel e jornalistas na Cisjordânia.Os militares israelenses impediram a entrada de qualquer profissional da imprensa em áreas sob seu controle, mas a ordem não vem sendo aplicada com rigor. O cinegrafista francês Gilles Jacquier, da rede de televisão France 2, foi atingido por uma bala enquanto saía de seu carro na entrada do campo de refugiados de el-Ain, próximo à cidade de Nablus.Segundo colegas, Jacquier estava viajando com um grande grupo de jornalistas. De acordo com testemunhas, Jacquier estava usando um colete à prova de balas, mas um tiro penetrou em seu pescoço. Médicos que retiraram a bala afirmaram que ela poderia ser proveniente de uma arma de mão ou de uma submetralhadora Uzi.Os militares israelenses disseram que coordenaram com os palestinos a retirada do local de Jacquier, que não consegui identificar quem atirou contra ele. De acordo com médicos, o estado de saúde do cinegrafista é estável.Em Belém, Yuzuru Saito, um repórter da TV Tóquio, disse que estava caminhando com um cinegrafista na parte velha da cidade quando soldados israelenses os obrigaram a parar, afirmando que era proibido filmar a área. "Eles nos tomaram a câmera e começaram a brincar com ela, apertando todos os botões. Eu pedi para que eles não quebrassem ou danificassem a câmera, mas os soldados a abriram e retiraram o teipe", disse Saito. "Então, eles nos pediram para sair dali. Vocês têm um minuto, se vocês não saírem, vamos atirar", disse o jornalista.Também em Belém, o cinegrafista francês Vincent Benhamou disse que ele estava entrevistando famílias em suas casas. Quando ele deixou uma das residências, ficou cara a cara com soldados israelenses. Benhamou afirmou que os militares foram abusivos e ameaçadores. "Tentei explicar que era um jornalista e que estava fazendo o meu trabalho, mas eles insistiram em pegar meu teipe", afirmou. "Eles apontaram armas para mim, pegaram minha fita e me pediram para que eu deixasse o local imediatamente. Comecei a me retirar quando ouvi dois tiros para o ar. Acho que eles estavam tentando me assustar".O exército israelense não comentou os incidentes, mas afirmou que os jornalistas não têm permissão para trabalhar em Belém.

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