Jornalista francês é morto em explosão na Síria

Cinegrafista visitava Homs a convite do governo sírio quando foi atingido; fotógrafo holandês que estava no mesmo grupo foi ferido perto dos olhos

HOMS, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2012 | 03h01

Um repórter cinematográfico francês foi morto ontem na Síria durante uma visita autorizada pelo governo de Damasco à cidade de Homs, um dos principais redutos da revolta popular que exige a queda do ditador Bashar Assad. Atingido por explosões, Gilles Jacquier, de 43 anos, foi o primeiro jornalista ocidental a morrer na Síria desde o início dos protestos pela saída do autocrata, há dez meses.

O funcionário do canal de TV France-2 estava em um grupo de 15 jornalistas que era levado a uma visita pela cidade. "Em certo ponto, três ou quatro explosões ocorreram, muito perto de nós", contou o repórter belga Jens Franssen à TV de seu país. "A Televisão France-2 foi informada, com grande pesar, da morte do repórter Gilles Jacquier em Homs, Síria, em circunstâncias que ainda têm de ser esclarecidas", afirmou o canal em um comunicado.

Não ficou claro se o grupo de jornalistas foi atacado com granadas. Pelo menos seis civis também morreram por causa das explosões.

Um jornalista freelancer, identificado como o fotógrafo holandês Steven Wassenaar por um correspondente da France Presse, sofreu ferimentos perto dos olhos, segundo informações da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A chancelaria holandesa, que preferiu não identificar o jornalista, afirmou que ele foi socorrido em um hospital local e recebeu alta pouco depois.

O cinegrafista atuava como correspondente internacional para a France-2 desde 1999 e cobriu zonas de conflito como Afeganistão, Faixa de Gaza, Congo e Iêmen. Atualmente, trabalhava para o programa Envoyé Spécial.

A autoria das explosões que mataram Jacquier deve provocar discussão entre opositores e apoiadores do ditador sírio, que têm culpado uns aos outros por uma recente onda de ataques misteriosos. Segundo estimativas da ONU, mais de 5 mil pessoas foram mortas desde o início do levante sírio - 400 desde o início da missão da Liga Árabe, dia 26. Um número incerto de jornalistas locais foi torturado e morto durante a revolta.

Um dia depois de ter discursado por quase duas horas na TV, Assad compareceu ontem a um comício diante de milhares de apoiadores, em Damasco. O ditador voltou a qualificar de "conspiração" a revolta.

Um dos integrantes da missão da Liga Árabe que monitora a Síria deixou a representação, afirmando que o regime comete "crimes de guerra". "A missão foi uma farsa e os observadores foram enganados", disse o tunisiano Anwer Malek à TV Al-Jazeera, em uma entrevista transmitida na noite da terça-feira. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.