Jornalista libertado pelo Chade critica grupo de ajuda

Um jornalista detido junto com membros deum grupo francês de ajuda humanitária quando tentavam sair doChade com 103 crianças criticou os ativistas pelo "amadorismo",mas disse que aquelas pessoas pareciam convencidas de que suamissão é legítima. Marc Garmirian, um dos três repórteres franceses libertadosno domingo, disse ter filmado alguns dos ativistas colocandocurativos nas crianças para parecer que estavam feridas antesde voar com elas para a Europa. Garmirian e os outrosjornalistas já voltaram à França. "Eu percebi rapidamente que, naquilo que se poderia chamarde investigação, ou seja, nas entrevistas que realizavam com ascrianças ou com as pessoas que as traziam, eles demonstravam umamadorismo dramático", disse o repórter ao canal de TV TF1, nasegunda-feira. Vários dos dez europeus detidos no Chade pertencem àorganização Arca de Zoé, que disse ter por meta permitir queórfãos vindos de Darfur sejam adotados por famílias européias.E o grupo argumenta que, segundo leis internacionais, tem odireito de fazer isso. Mas a Organização das Nações Unidas (ONU) e autoridades doChade dizem que a maior parte das 103 crianças, com idadesentre 1 e 10 anos, possuem ao menos um dos pais vivo e quevieram da violenta região da fronteira do Chade com o Sudão. A empresa que contratou Garmirian, a agência de notíciasfrancesa Capa, divulgou imagens no domingo mostrando membros daArca de Zoé colocando curativos nas crianças e despejando umlíquido em cima delas para que elas parecessem feridas. O chefe da entidade, Eric Breteau, diz na gravação estarciente do fato de que poderia ser preso por causa da operação. "Se eu for jogado em uma prisão por salvar as crianças deDarfur... Acho que, no final das contas, ficaria orgulhoso deir para a prisão por esse motivo", afirma Breteau. Garmirian, que voou para a França a bordo do avião dopresidente francês, Nicolas Sarkozy, junto com outros doisrepórteres franceses e quatro tripulantes espanhóis, minimizouo caso envolvendo a colocação dos curativos falsos. "Os curativos também tinham por fim tornar a viagem menosdramática. As crianças acharam divertido aquilo e, em momentonenhum, aparentaram medo ou algo do tipo", afirmou. "Na realidade, foi difícil me manter no papel dejornalista, de testemunha que não intervém. Em momento nenhum,com base no que eu vi, as crianças correram perigo. E ninguémme pediu para desligar a câmera e parar de filmar", disse. 'LUNÁTICOS, FANÁTICOS' Ao menos dois membros da Arca de Zoé --Breteau e EmilieLelouch-- pareciam convencidos de estarem agindo legalmente,afirmou Garmirian. "Poderíamos dizer que eles são lunáticos, fanáticos. Dequalquer forma, até o momento em que saí da prisão, EmilieLelouch e Eric Breteau continuavam convencidos de que suamissão era legítima", declarou o repórter à rádio Europe 1, emuma outra entrevista. Na segunda-feira, os integrantes da Arca de Zoé e os trêstripulantes espanhóis que continuam presos foram levados parauma corte de Ndjamena, a capital do Chade. Através de janelas, a multidão de jornalistas reunida dolado de fora do prédio conseguiu ver os membros do gruposentados em uma sala vazia. Os detidos esperavam paracomparecer diante de um juiz que se encontrava em outra sala. Um comissário de bordo espanhol fez sinal de positivo paraos jornalistas da Espanha que o chamavam através da janela. Masum dos policiais presentes na sala o impediu de dardeclarações. (Reportagem adicional de Stephanie Hancock em N'Djamena)

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