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Jornalista ligado a Snowden diz que EUA não espionam só alvos terroristas

Glenn Greenwald acusa Washington de usar sistema de vigilância global para beneficiar empresas americanas

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2013 | 23h26

BRASÍLIA - Glenn Greenwald, o jornalista do The Guardian responsável pela publicação das informações sobre o sistema de espionagem eletrônica dos EUA, disse neta terça-feira, 6, no Senado brasileiro, ter provas de que os americanos usam a rede para obter vantagens comerciais e tecnológicas. A afirmação derruba o argumento do governo de Barack Obama de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) usa a vigilância para proteger seus cidadãos do terrorismo.

Greenwald afirmou que o ex-técnico da CIA Edward Snowden lhe entregou cerca 20 mil documentos que ainda precisam ser estudados. Segundo ele, os EUA usam espionagem para obter proveito em concorrências com outros países e empresas, com destaque para áreas industriais e financeiras.

Greenwald comentou o teor de uma carta que teria sido assinada pelo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, na qual o diplomata elogiava os trabalhos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) na América Latina. "A espionagem está dando muita vantagem ao governo americano ao negociar os contratos. Eles podem saber as estratégias que os governos de outros países da América Latina estão planejando. Isso não tem nenhuma relação com terrorismo, com segurança nacional", afirmou.

O trabalho da NSA passou a ser defendido com mais força por democratas e republicanos após o alerta global contra terrorismo emitido na sexta-feira, 2, e reforçado nesta terça-feira, 6.

O jornalista, que mora no Rio, contradisse a afirmação do governo americano de que apenas eram coletados os chamados "metadados", informações mais genéricas, como números de destino de telefonemas e listas de acesso de e-mail. Para ele, a espionagem é irrestrita. "Eles podem coletar o conteúdo dos e-mails, a lista de pesquisas que fazemos no Google, o site que estamos visitando e também ligações", disse.

De acordo com o jornalista, quando se trata de uma investigação que ultrapassa as fronteiras dos EUA, a facilidade de obter informações é enorme. "Se você é americano, eles precisam ir para o tribunal para receber (autorização para investigar). Se você não é americano, eles não precisam de nada", afirmou.

Greenwald lamentou a dificuldade de Snowden para conseguir asilo político. "Tem 20, 25 governos que estão falando 'estamos indignados com a forma como estamos descobrindo o sistema de espionagem', mas tem só três países que ofereceram asilo para protegê-lo contra os EUA", disse o americano, ressaltando que Equador, Bolívia e Venezuela "são muito pequenos e não têm poder".

Para ele, a recusa de muitas nações pode ser explicada pelo receio de perderem benefícios dos EUA caso protegessem o ex-técnico da CIA. Segundo ele, o país que conceder o asilo, terá privilégios no acesso a novas informações. Snowden se encontra na Rússia, que concedeu asilo temporário de um ano. O governo americano não comentou as declarações de Greenwald.

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