Felix Marquez/AP
Felix Marquez/AP

Jornalista mexicano é executado com a família

Conhecido pela cobertura do narcotráfico, López foi morto com a mulher e o filho em Veracruz

, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

CIDADE DO MÉXICO

O jornalista mexicano Miguel Angel López Velasco, sua mulher e seu filho foram executados ontem na casa onde viviam na cidade de Veracruz, leste do México. Especialista em segurança e narcotráfico, López tinha uma conhecida coluna no jornal Notiver, um dos principais da região. É o segundo jornalista morto no país em menos de uma semana.

O crime ocorreu pouco antes das 6 horas da manhã, minutos depois de o jornalista ter chegado em casa. Enquanto dormia, homens armados invadiram a casa e abriram fogo contra ele e sua mulher, Agustina Solana. O filho do casal, Misael López Solana, de 21 anos, também foi morto no ataque. A arma usada no crime foi uma pistola calibre 9mm.

O Notiver é o jornal mais influente da região de Veracruz e é bastante crítico do governo. Nos últimos anos, dedicou-se principalmente à cobertura das ações do crime organizado.

A coluna de López, que assinava como Milo Vela, era uma das mais reconhecidas e trazia denúncias e informações confidenciais. Há dois anos, outro colunista do jornal foi sequestrado e reapareceu torturado depois de vários dias.

O governador do Estado, Javier Duarte, visitou a sede do jornal e ordenou que a promotoria investigue o triplo assassinato. Não há pistas sobre a autoria do crime nem qual teria sido o motivo.

Violência. López é o segundo jornalista encontrado morto em menos de um mês em Veracruz. O corpo de Noel López Olguín, que também cobria o narcotráfico, que estava desaparecido desde o dia 8 de março, foi encontrado no início do mês em uma fossa clandestina na cidade de Jáltipan.

Na semana passada, o jornalista Pablo Ruelas Barraza foi morto em Huatabampo, no Estado de Sonora, norte do país. Ele teria reagido a uma tentativa de sequestro e levou quatro tiros.

Marco Antonio López Ortiz, jornalista do Novedades Acapulco, está desaparecido desde o dia 7, quando foi levado por homens fortemente armados. / EFE e AP

PARA LEMBRAR

Um cemitério de jornalistas

O México é considerado o país mais perigoso das Américas para exercer o jornalismo, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, e o terceiro do mundo, atrás de Paquistão e Iraque. Desde 2000, pelo menos 68 jornalistas foram assassinados no país e 13 estão desaparecidos. No mesmo período, foram registrados 21 ataques a instalações de veículos de comunicação. Cerca de 40 mil pessoas morreram no México desde 2006, quando o presidente Felipe Calderón declarou guerra contra os cartéis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.