Jornalista morre após voltar de enterro de colega na Somália

Jornalistas se transformam, nas últimas horas, em alvos da guerra que atinge o país desde 1991

Badri Sheikh, da Efe,

11 de agosto de 2007 | 13h24

O dono da emissora de rádio independente somali "Horn Afrik", Ali Imame Sharma'arke, morreu neste sábado, 11, em um atentado contra seu veículo quando voltava do enterro de um jornalista assassinado horas antes, informaram testemunhas. O ataque também deixou gravemente feridos outros dois jornalistas que estavam no mesmo veículo. Nas últimas horas, os jornalistas se transformaram nos alvos da guerra que atinge a Somália desde 1991, sem que haja reflexos de solução. Sharma'arke, que era dono de uma das poucas emissoras independentes do país a continuar na ativa - apesar das diversas ameaças recebidas -, voltava do funeral do jornalista Mahad Ahmed Elmi, editor da "Capital Voice" (emissora filial à "Horn Afrik"), que foi assassinado com três tiros na cabeça por dois desconhecidos, perto da estação onde trabalhava. "Estamos diante do colapso da liberdade de expressão, completamente traumatizados", afirmou o editor da "Horn Afrik", Said Tahlil Ahmed, ao comentar o assassinato de Elmi. As duas emissoras decidiram interromper as transmissões para que os funcionários pudessem comparecer ao funeral. "Primeiro vamos enterrar (Elmi) e depois vamos ver o que fazer, porque seu assassinato pode ser a antecipação de outro ataque contra nós (jornalistas)", disse Ahmed. Horas depois, Sharma'arke morreu devido à explosão de seu carro por causa de uma bomba acionada à distância. Também ficaram gravemente feridos os jornalistas Falastin Ahmed Haji e Sahal Abdulle, que estavam no mesmo veículo que o dono da emissora. A Somália vive sem um governo que tenha conseguido impor sua autoridade desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado. As lutas tribais e o surgimento das milícias islâmicas mantêm o país em uma situação quase anárquica. "Shabelle" Os incidentes deste sábado ocorrem um dia depois da ação de policiais que, por ordens do governo de transição, invadiram a sede da rádio independente "Shabelle", detiveram nove funcionários e ordenaram a interrupção das transmissões. A emissora conseguiu retomar depois suas transmissões e todos os detidos, com exceção de um repórter, foram soltos em seguida. A rádio "Shabelle" tinha recebido advertências de um funcionário da embaixada da Etiópia em Mogadiscio que ameaçou "castigar" a emissora por causa de suas informações sobre o conflito somali. A Etiópia é o principal apoio do governo de transição de Mogadiscio. Sem o respaldo dos milhares de soldados etíopes que invadiram o país no fim de dezembro, a administração de Abdulahi Yousef Ahmed duraria pouco, segundo os observadores.  Tanto a "Hork Afrik" como a rádio "Shabelle" foram fechadas pelo governo em junho durante vários dias, acusadas de "traição" e de "apoiar o terrorismo". Outro atentado Ainda não se sabe se os assassinatos do dono e do funcionário da "Horn Afrik" podem estar relacionados ao ataque cometido na noite de sexta-feira contra o jornalista Abdulhakim Omar Jumale, de uma emissora governamental. Três homens invadiram a casa de Jumale, que levou tiros no peito. O jornalista está gravemente ferido e se recupera no hospital de Keysaney, no norte de Mogadiscio. "Perguntaram quem era Abdulhakim e, quando o viram, tiraram as suas pistolas e dispararam", disse a mãe do repórter ferido, Amina Abdulle.

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