Jornalista Novak morre aos 78 anos

Repórter deflagrou escândalo Plame

NYT, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

Após décadas de atuação como uma das mais influentes vozes da mídia impressa e televisiva americana, morreu ontem aos 78 anos o repórter e comentarista político Robert Novak. O jornalista lutava contra um tumor cerebral desde julho do ano passado e, segundo sua mulher, Geraldine, ele foi encontrado sem vida em sua residência.Polêmico e conservador, Novak protagonizou um dos maiores escândalos da última década envolvendo jornalistas e o círculo de poder em Washington, ao revelar, em 2003, a identidade da agente da CIA Valerie Plame. Novak foi o primeiro a publicar o nome de Valerie, dias depois de o marido da funcionária, o embaixador Joseph Wilson, ter acusado o governo George W. Bush de fraudar evidências para justificar a invasão do Iraque. Novak foi acusado de ter sido usado por Bush para "dar o troco" em Wilson. Seu artigo deu início a uma investigação federal que levou à condenação de um dos funcionários que teria vazado a informação - Lewis "Scooter" Libby, o braço direito do então vice-presidente, Dick Cheney. A legislação americana criminaliza a revelação da identidade de agentes da CIA e Libby foi considerado culpado por mentir à Justiça.Judith Miller, repórter do New York Times, também foi condenada no caso após se recusar a revelar sua fonte. Ela passou 85 dias na prisão; Libby teve sua pena comutada por Bush.SUCESSONovak lamentou que o caso Valerie Plame "marcaria sua carreira para sempre", a despeito de reportagens e artigos que ele considerava "mais relevantes".A coluna independente Inside Report, escrita em parceria com o jornalista Rowland Evans, é tida como o marco na carreira de Novak que o tornou uma das maiores personalidades do jornalismo americano. Anos depois, cerca de 300 jornais ao redor dos EUA publicariam seus artigos.Entre os "furos" de Novak, está a entrevista em 1978 com o líder chinês Deng Xiaoping. Nela, Deng evidenciou um tom conciliatório com os EUA. Especula-se que o depoimento teria acelerado a retomada das relações entre Pequim e Washington, concluída no ano seguinte."Tive uma ótima experiência realizando todos os meus sonhos de juventude e, ao mesmo tempo, fazendo a vida de políticos hipócritas e pretensiosos miserável", escreveu Novak. Sua assertividade rendeu-lhe o epíteto de "príncipe das trevas".

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