AFP
AFP

Jornalista que investigava os Panama Papers é assassinada em Malta

Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, saía de casa quando uma bomba explodiu seu carro; momentos antes, ela publicou texto em seu blog qualificando a situação como 'desesperadora' e afirmando haver 'criminosos em todos os lugares'

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 20h36
Atualizado 17 Outubro 2017 | 12h30

VALLETTA - Daphne Caruana Galizia, a jornalista investigativa mais conhecida de Malta, morreu nesta segunda-feira, 16, na explosão de seu carro, informou a polícia, em um caso que chocou a pequena ilha do Mediterrâneo.

+ Artigo: A revolução será digitalizada

Autora de um dos blogs mais populares de Malta, ela revelou a participação de importantes figuras políticas maltesas nos chamados Panama Papers - escândalo mundial de corrupção que envolveu o uso de empresas para esconder dinheiro, divulgado em 2016 pela imprensa de vários países. 

Entre os envolvidos estavam a mulher do primeiro-ministro, Michelle Muscat, o ministro da Energia do país e o chefe de gabinete do premiê, que teriam offshores no Panamá para receber dinheiro do Azerbaijão. Tanto o premiê, Joseph Muscat, como a primeira-dama negam as acusações.

“Há criminosos em todos os lugares que você olhar agora. A situação é desesperadora”, escreveu Daphne em um post publicado em seu site meia hora antes de uma explosão destruir seu carro. Moradores disseram que ela havia acabado de deixar sua casa e estava em uma estrada próxima à vila de Bidnija, no norte de Malta, quando a bomba detonou, lançando seu carro até um campo adjacente à estrada.

O primeiro-ministro Joseph Muscat denunciou a morte, chamando de um “ataque bárbaro contra a liberdade de imprensa”. Ele anunciou que o FBI, dos Estados Unidos, havia concordado em ajudar a polícia local a investigar o assassinato e disse que especialistas viajariam à ilha assim que possível. 

"O que aconteceu hoje é inaceitável em vários níveis. Hoje é um dia negro para a nossa democracia e nossa liberdade de expressão", disse ele. "Não vou descansar até que justiça seja feita", acrescentou.

Cerca de 3 mil pessoas realizaram uma vigília silenciosa com velas na noite de segunda-feira em Sliema, próximo a Valletta.

A hashtag “Je Suis Daphne” (Eu Sou Daphne, em tradução livre) circulou amplamente entre usuários de redes sociais na ilha de 400 mil habitantes, o menor Estado da União Europeia.

No início deste ano, o site americano Politico colocou Caruana Galizia entre as "28 personalidades que fazem a Europa avançar", descrevendo-a como um "WikiLeaks inteiro em uma única mulher, que realizou uma cruzada contra a falta de transparência e corrupção em Malta ". / REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.