Jornalista que reproduziu caricaturas de Maomé é condenado

Alexander Sdvizhkov, editor do jornal independente bielo-russo "Zgoda", foi condenado a três anos de prisão

EFE

19 de janeiro de 2008 | 01h55

Um tribunal de Belarus condenou nesta sexta-feira a três anos de prisão um jornalista que reproduziu caricaturas do profeta Maomé que tinham sido publicadas pela primeira vez em 2005 em um jornal da Dinamarca, informa a imprensa local. Alexander Sdvizhkov, editor do jornal independente bielo-russo "Zgoda" (Consenso, em português), foi condenado por incitação ao ódio religioso e nacional. Em março de 2006, o "Zgoda" foi fechado pelas autoridades bielo-russas que o investigaram depois de receber queixas da comunidade muçulmana do país, que representa entre 2% e 3% da população de Belarus, de 10 milhões de habitantes. "Que Deus e a santa cruz estejam conosco", disse o editor ao saber da sentença. A defesa de Sdvizhkov já anunciou que recorrerá da decisão. A publicação de 12 caricaturas de Maomé no jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" em 2005 desencadeou uma crise entre o mundo muçulmano e a Dinamarca, que incluiu um boicote econômico a produtos dinamarqueses e ataques a suas sedes diplomáticas, além de um duro debate sobre a liberdade de expressão em vários países. O representante para a liberdade de imprensa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Miklos Haraszti, criticou a decisão do tribunal e assegurou que as autoridades bielo-russas utilizaram a controvérsia internacional para "eliminar uma voz crítica", segundo o site da organização. Mais de 50 pessoas morreram no mundo todo em protestos pela publicação das caricaturas, entre as quais se podia observar o profeta com uma bomba em seu turbante.

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