Jornalista relata bastidores do caso Snowden em livro

Em 'Sem Lugar Para Se Esconder', Glenn Greenwald mostra como EUA interceptaram dados em escala mundial

Alessandro Giannini, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2014 | 02h01

No livro Sem Lugar Para Se Esconder (Editora Sextante), lançado nesta semana, o advogado e jornalista americano radicado no Brasil Glenn Greenwald revela os bastidores da série de reportagens publicadas pelo jornal britânico The Guardian, em 2013, sobre a espionagem em larga escala realizada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês).

Greenwald relata como foi escolhido pelo ex-prestador de serviços da agência, Edward Snowden, para divulgar o alcance da espionagem americana, além de mostrar com mais detalhes as técnicas e estratégias utilizadas para coletar dados.

O autor mostra ainda como é feita a interceptação de roteadores e comutadores de rede e quem são os "parceiros corporativos" do governo americano que possibilitam essas operações.

O livro de Greenwald começa com o relato de uma viagem de dez dias a Hong Kong, na companhia da cineasta Laura Poitras, para conhecer a misteriosa fonte que insistia em se comunicar por meio de programas criptografados e afirmava ter provas da espionagem conduzida pelo governo dos EUA tanto nas comunicações internas quanto nas de outros países, como Brasil e México.

"Snowden tinha 29 anos na época, mas parecia muitos mais jovem", escreve Greenwald. "Usava camiseta branca com dizeres desbotados, calça jeans e óculos de nerd chique. Um típico 'geek' de 20 e poucos anos, daqueles que trabalham em laboratórios de informática em câmpus universitários. Na hora, simplesmente não consegui encaixar as peças do quebra-cabeça."

O lançamento de Sem Lugar Para Se Esconder repercutiu principalmente nos EUA e na Grã-Bretanha. The Guardian, onde as primeiras reportagens de Greenwald sobre Snowden foram publicadas, no ano passado, fez uma longa entrevista com o jornalista, na qual ele explica por que não passará pelo país para promover o livro. Em parte, segundo ele, em razão da detenção em Londres, no ano passado, de seu parceiro, o brasileiro David Miranda.

"Não creio que vão deixar de me deter, interrogar e até me prender. O comportamento deles tem sido tão extremista e ofensivo, com o apoio da classe política e dos jornalistas, que me sinto desconfortável com toda essa atmosfera", disse Greenwald ao jornal britânico.

No New York Times, a resenha de Michiko Kakutani, crítica literária, ela tende a ser objetiva na descrição do livro até tocar no capítulo em que Greenwald analisa o papel da grande imprensa no caso.

"Partes substanciais do livro não lidam com a relação entre Greenwald, Snowden e NSA, mas com sua visão combativa da 'mídia estabelecida', que ele denuncia pela 'evidente subserviência ao poder político' e à qual ele vê como inferior em relação ao seu tipo de jornalismo mais ativista."

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