Jornalista relata morte de McVeigh

Minutos antes de dar seu último suspiro hoje, Timothy McVeigh levantou sua cabeça, esticou levemente seu pescoço e olhou para cada um dos que iriam testemunhar sua morte. Foi um olhar rápido, metódico e intenso, como se estivesse contando as pessoas, como se quisesse ter a certeza de que cada um o olharia nos olhos. Eram os mesmos olhos que estiveram incendiando a consciência americana, os olhos de um homem que matou 168 pessoas num ato de ódio.Depois de passar com os olhos pela sala, parando para uma espiada numa janela espelhada onde, do outro lado, estavam os 10 representantes de sobreviventes e vítimas, McVeigh recostou sua cabeça e olhou fixamente para o teto, parecendo concentrar-se numa câmera de circuito fechado de TV que transmitia a execução para cerca de 300 testemunhas reunidas a 1.000 quilômetros de distância em Oklahoma City. McVeigh foi atado a uma maca, coberto até o pescoço com um lençol cinza claro. Ele vestia camisa branca e calça cáqui. O condenado não esboçou qualquer resistência, cooperando durante todo o processo.O diretor da penitenciária, Harley Lappin, em pé, com os braços cruzados, perguntou a McVeigh se gostaria de proferir suas últimas palavras. Houve uma pausa de um minuto. A cabeça de McVeigh permaneceu imóvel, seus olhos ainda fixos na câmera, quase sem piscar. Rompendo o silêncio, o diretor começou a ler as acusações - uso de arma de destruição em massa, conspiração, oito tipos de assassinato. Novamente, não houve mudança na expressão de McVeigh, apenas o olhar fixo. "Oficial, estamos prontos, podemos prosseguir?", perguntou o diretor ao oficial federal Frank Anderson, a única outra pessoa na sala de execução.Anderson pegou um brilhante telefone vermelho preso à parede. Alguém do outro lado falou, Anderson desligou e disse simplesmente: "Diretor, podemos prosseguir com a execução".Então, novamente, o silêncio.McVeigh engoliu fundo. Seus olhos moveram-se levemente de um lado para o outro. Ele respirou profundamente, e por duas vezes encheu as bochechas de ar e expirou, como se tentasse manter a consciência. Um guarda na sala de testemunhas anunciou que havia sido ministrada a primeira droga via venosa. Passaram-se 10 minutos; eram 8h10 locais (9h10 de Brasília). McVeigh manteve-se com os olhos abertos, mas eles começaram a ficar transparentes, a remexer lentamente. Sua pele começou a ficar palidamente amarela. Às 8h11, o guarda disse que a segunda droga havia sido injetada. O diretor olhava para frente, voltando a vista para McVeigh rapidamente apenas poucas vezes.Os lábios do condenado começaram a assumir uma leve tonalidade de azul. Ele permanecia imóvel, de olhos abertos, sem emitir qualquer som. Eram 8h14. Tudo havia terminado.

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