AP Photo/Efrem Lukatsky
AP Photo/Efrem Lukatsky

Jornalista russo morre em explosão de carro no centro de Kiev

Pavel Sheremet era um conhecido jornalista com destacada trajetória profissional na Bielo-Rússia e na Rússia, e estava radicado em Kiev há cinco anos; na internet, procurador-geral da Ucrânia diz que caso trata-se de um assassinato

O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2016 | 11h29

KIEV - O jornalista russo Pavel Sheremet morreu nesta quarta-feira, 20, na explosão do automóvel no qual estava no centro de Kiev, informou o site do jornal "Ukrainska Pravda". A explosão aconteceu por volta de 7h45 (1h45 de Brasília) no cruzamento das ruas Bogdan Jmelnitski e Ivan Frankó, minutos depois de o jornalista sair de sua residência.

"Me informaram que a morte de Pavel Sheremet foi provocada por uma bomba. Foi um assassinato. Farei tudo que posso com meus colegas para esclarecer este crime", escreveu o procurador-geral da Ucrânia, Yuri Lutsenko, em sua página no Facebook.

Também através da rede social, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse que instruiu que a polícia investigue a fundo a morte de Sheremet e salientou que "os culpados devem ser punidos". "Ocorreu uma tragédia terrível em Kiev. Comoção, não há outra palavra. Conhecia Pavel pessoalmente. Minhas condolências a sua família e amigos", escreveu Poroshenko.

A chefe da Polícia Nacional da Ucrânia, Katia Dekanoidze, afirmou que o esclarecimento do assassinato do jornalista é "uma questão de honra" para a corporação.

Sheremet, de 44 anos, nascido em Minsk, era um conhecido jornalista com uma destacada trajetória profissional na Bielo-Rússia e na Rússia, e estava radicado em Kiev há cinco anos. O automóvel em que ele se encontrava pertence à diretora de "Ukrainska Pravda", Yelena Pritule, quem não estava no veículo no momento da explosão.

Sheremet começou sua carreira profissional no início dos anos 1990 na televisão bielo-russa e em 1996 foi nomeado correspondente-chefe da TV pública da Rússia em Minsk.

Crítico ferrenho do presidente bielo-russo, Aleksandr Lukashenko, foi preso em 1997 quando preparava uma reportagem sobre a situação na fronteira do país com a Lituânia, acusado trabalho jornalístico ilegal e de receber dinheiro de serviços secretos estrangeiros.

Sheremet foi condenado então a dois anos de prisão pela Justiça bielo-russa, mas recuperou a liberdade após três meses de reclusão graças às pressões da Rússia. / EFE

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