Jornalista se preocupa com retorno ao Brasil

Santiago mostrava nas ruas, na tarde deste domingo, a tristeza e a tensão pelo forte terremoto que atingiu o país na madrugada de ontem, conta a jornalista da Agência Estado Cristina Falasco, que passa férias no Chile e tinha retorno ao Brasil programado para esta manhã. Ela afirma que a maior preocupação no momento, além das réplicas constantes do tremor, é a viagem de volta.

TATIANA FREITAS E CRISTINA FALASCO, Agencia Estado

28 de fevereiro de 2010 | 17h43

A estrutura do Aeroporto Internacional de Santiago foi muito atingida pelo terremoto e ele está fechado desde ontem. Nesta tarde, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, autorizou a liberação de parte do aeroporto, o que pode facilitar alguns embarques. No entanto, algumas companhias aéreas estão programando voos para o Brasil apenas para o dia 5. Com sorte, o passageiro pode conseguir uma data mais próxima, conta Cristina. Por enquanto, não há operações de voos.

Poucos estabelecimentos comerciais estão abertos neste domingo. E um número bem restrito de restaurantes recebe os turistas de todas as partes do mundo que circulam neste verão pela capital chilena. Nos caixas eletrônicos não há filas. O movimento tem sido grande nos supermercados e nos poucos telefones que operam com ligações internacionais, prossegue a jornalista.

O metrô - ao contrário de ontem quando ficou totalmente inoperante - já reabriu algumas estações e seus funcionários se esforçam para explicar e orientar sobre as linhas fechadas e o melhor itinerário a seguir. Nas ruas ainda se vê muitas pedras, rebocos, vidros de janelas que romperam com a força do tremor. Mas percebe-se também um cuidado para isolar áreas que possam atingir os pedestres.

A Academia de Bellas Artes, que fica no mesmo local do Museu de Bellas Artes, foi um dos prédios centenários mais atingidos pelo terremoto. Quem caminha pelo Parque Florestal não resiste a parar para lamentar os danos, conta Cristina. Para os turistas, é o melhor momento para registrar com fotografias a tragédia que marca o país no ano do seu bicentenário de libertação.

Em mensagem enviada à redação, Cristina, que está hospedada em Providência, na capital chilena, conta que estava dormindo em um quarto no décimo andar de um hotel quando os tremores começaram e despertou com o prédio balançando.

Segue o relato da jornalista sobre o terremoto no Chile:

"Foi uma madrugada assustadora. Estávamos dormindo e de repente sentimos a cama tremendo. Logo que tentei me levantar, acabei caindo no chão. O tremor ficava cada vez mais forte. Acendi a luz, que durou poucos segundos. Fiquei mais preocupada ainda quando a energia acabou.

O tremor foi fortíssimo. Ficamos agarrados num batente perto da porta do banheiro e o prédio balançava. O barulho é assustador. A televisão caiu, todos os móveis saíram do lugar - mesinha, sofá, poltrona. Até a geladeirinha do quarto se abriu. Tudo no banheiro também foi para o chão, que ficou todo molhado.

Parecia um filme. Parecia que tudo iria desabar às 3h30 da madrugada. A sensação é de um trem andando rápido e muito barulhento. Estávamos no 10º andar. Foi assustador.

Quando foi diminuindo (o tremor) corri para pegar um casaco e fomos para a rua. O porteiro da madrugada estava muito preocupado, nervoso. Disse que ficou agarrado no balcão e que os telefones já não estavam mais funcionando. O hotel é simples, antigo e graças a Deus deve ter sido construído pelo melhor engenheiro de Santiago. Ficou intacto.

Muitas réplicas - leves tremores - estão ocorrendo. Pela manhã aconteceu mais um. Segundo a TV, essas réplicas podem ocorrer ainda durante meses.

Durante todo o dia ficamos nas imediações do hotel. Poucas pessoas nas ruas. Todos com rostos abatidos, preocupados, tristes. Na volta que demos por aqui perto há muitas janelas quebradas, rebocos de casas e rachaduras. Pouquíssimos restaurantes funcionando. Telefones ainda mudos. Ontem foi um dia muito difícil. Tensão, insegurança, sono, preocupação, tristezas.

Incrível estar numa situação tão diferente e triste. Muitos e muitos brasileiros estão por aqui e fomos muito bem recebidos pelos chilenos, que adoram o nosso País. Santiago é uma bela cidade. E o Chile se orgulha pela tradição de organização e respeito às leis. Certamente conseguirá se reerguer e superar a tragédia."

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