Carl Court/Getty Images/AFP
Carl Court/Getty Images/AFP

Jornalistas acusados por Vaticano denunciam ataque à liberdade de imprensa

Eles serão processados no Vaticano acusados de vazar e publicar documentos confidenciais;

O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 17h53

ROMA - Os jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, que amanhã serão processados no Vaticano acusados de vazar e publicar documentos confidenciais, denunciaram nesta segunda-feira, 23, o desrespeito à liberdade de imprensa.

"Nunca teria imaginado que depois da publicação de Avarizia que acabaria sendo investigado, no banco dos réus, e processado pelos juízes pontifícios. Processado por um crime com uma pena que vai de 4 a 8 anos de prisão", escreveu hoje Fittipaldi no jornal La Repubblica.

Fittipaldi lembrou que "a jurisprudência vaticana considera um crime a essência de nosso trabalho (o jornalismo), ou seja, o poder de publicar fatos que o poder, seja qual for a forma que tenha, quer manter oculto da opinião pública". "O julgamento que começa amanhã não é contra mim, mas contra a liberdade de imprensa", assinalou o jornalista.

Nuzzi, o outro jornalista, autor de Via Crucis, que se recusou a depor durante a fase de instrução, anunciou que também irá ao Vaticano amanhã. Em seu blog, o jornalista escreveu: "Não se processa quem faz informação". Ele ainda afirmou que se "trata de um julgamento da liberdade de informação".

O julgamento do chamado "Vatileaks2", em referência ao caso de 2012 contra o mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele, começa amanhã. São acusados o sacerdote espanhol Lúcio Vallejo Balda, secretário da dissolvida Comissão investigadora dos organismos econômicos e administrativos da Santa Sé (Cosea); a ex-relações públicas italiana Francesca Chaouqui, o ex-colaborador da Coesa, Nicola Maio, e os dois jornalistas.

Os jornalistas denunciam que nas leis vaticanas não existe liberdade de informação, incluída no artigo 21 da Constituição italiana. O sistema penal do Vaticano se baseia no antigo código penal italiano, de 10 de junho de 1998, e em um código de procedimento penal de 27 de fevereiro de 1913, e desde então sofreu mínimas alterações.

Uma das últimas foi aprovada pelo papa Francisco em julho de 2013, quando introduziu na lei o artigo 116 bis, que tipifica o crime de "procurar ilegitimamente ou revelar notícias ou documentos de divulgação proibida", que tem pena de 6 meses a 2 anos de reclusão ou multa que vai de mil a 5 mil euros.

A norma prevê que, se estas notícias ou documentos forem de "interesse fundamental ou de relações diplomáticas da Santa Sé ou do Estado se aplicará pena de quatro a oito anos de reclusão". / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
VaticanoVatileakspapa Francisco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.