Jornalistas brasileiros são presos na Venezuela

Equipe investigava denúncia de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht na região

O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2017 | 00h34

Dois jornalistas brasileiros que estavam fazendo uma reportagem sobre denúncias de corrupção sobre a construtora Odebrecht foram detidos ao meio-dia deste sábado, 11, pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, na Venezuela. Leandro Stoliar e Gilzon Souza de Oliveira, da Record TV, estavam investigando informações sobre uma obra da construtora brasileira no estado de Zulia, polo petrolífero do país, quando foram levados pelas forças de segurança, conforme denunciou a ONG Transparência Venezuela.

Além deles, dois coordenadores e ativistas da entidade que os acompanhavam também foram detidos: Jesús Urbina e María José Túa. Segundo a entidade, uma comissão do serviço de inteligência venezuelano deteve o grupo e os levou para Maracaibo para serem interrogados. Eles não teriam acesso aos telefones celulares e ainda estariam detidos pelo menos até o começo da noite de sábado. 

Em comunicado, a ONG afirmou que "exige a liberação imediata dos ativistas e jornalistas detidos" e que rechaça a detenção arbitrária. O Itamaraty ainda não se pronunciou sobre o caso.

Os jornalistas investigavam as instalações da segunda ponte sobre o lago de Maracaibo, chamada de Ponte Cacique Nigale. Anunciada ainda em 2005, durante a gestão de Hugo Chávez, a obra teria cerca de 11 quilômetros de extensão, mas exigiria também modificações em outros 42 km de vias locais. Todo o serviço deveria já estar pronto em 2010, de acordo com as previsões originais, mas a previsão mais recente para o fim das obras agora é apenas em 2018.

 

A Odebrecht é uma das maiores empresas de construção que atua na Venezuela. A agência Bloomberg estima que a empreiteira brasileira tenha assinado cerca de US$ 25 bilhões em contratos para realizar mais de 30 obras no país caribenho. No acordo de leniência assinado entre a Odebrecht e o Departamento de Justiça americano, que se tornou público no fim do ano passado, a construtora confessou ter pago aproximadamente US$ 98 milhões em suborno para funcionários do governo local e intermediários para obter e manter contratos de obras públicas - o maior valor em todos os 11 países nos quais a empreiteira confessou ter pago propina além do Brasil.

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