AFP PHOTO / Cristina Vega Rhor
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Equador afirma que jornalistas foram assassinados na Colômbia

César Navas, responsável equatoriano pela pasta do Interior, disse em entrevista à emissora NTN24 que os corpos da equipe de imprensa do jornal 'El Comercio' sequestrada por dissidentes das Farc ainda não foram resgatados; países dão informações contraditórias sobre caso

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 18h00
Atualizado 15 Abril 2018 | 20h20

QUITO - O governo do Equador afirmou neste domingo, 15, que os jornalistas sequestrados por rebeldes dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram assassinados em território colombiano e que seus corpos continuam lá.

A declaração do ministro do Interior, César Navas, a uma emissora colombiana atiça ainda mais as contradições entre os dois países desde que houve o sequestro, em 26 de março.

"Estavam em território colombiano e estão em território colombiano", afirmou Navas em uma entrevista ao canal internacional NTN24. "Foram assassinados em território colombiano", acrescentou.

O jornalista Javier Ortega, de 32 anos, o fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, e o motorista Efraín Segarra, de 60 anos, do jornal "El Comercio" de Quito foram sequestrados por guerrilheiros que se afastaram do processo de paz na Colômbia. 

Em vídeo, jornalistas equatorianos sequestrados aparecem acorrentados e pedem resgate; veja

Estando em cativeiro e acorrentados, foram executados a tiros, de acordo com fotos divulgadas pelos sequestradores. Os corpos ainda não foram recuperados.

Em declarações à imprensa posteriormente em Quito, Navas afirmou que "não se sabe onde estão os corpos", embora tenha dito que "estiveram em território colombiano".

Desde que ocorreu o sequestro em Mataje, uma localidade equatoriana na fronteira com a Colômbia, os dois governos forneceram informações contraditórias sobre o local para onde os reféns foram levados e onde foram executados.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, assegura que foram sequestrados e assassinados no Equador.

As versões entre governos diferem também na nacionalidade do responsável pelo assassinato, apelidado Guacho, líder da Frente Oliver Sinisterra, um grupo dissidente das Farc. Quito disse neste domingo que o suposto responsável é colombiano e Bogotá disse que é equatoriano.

Em sua entrevista, Nava explicou que a operação realizada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para a recuperação dos corpos "não tem data" de término, sem dar mais detalhes.

O assassinato consternou o Equador e motivou a condenação da comunidade internacional. Neste domingo, depois da tradição Oração do Angelus na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, o papa Francisco falou da dor que sentiu ao saber da morte dos comunicadores.

"Rezo por eles e suas famílias, e estou perto do querido povo equatoriano, animando-o a avançar unidos e em paz, com a ajuda do Senhor e de sua Santa Mãe", disse.

A arquidiocese de Quito realizou uma missa neste domingo em memória da equipe jornalística. Também ordenou que em cada igreja façam uma oração por eles e suas famílias.

Após confirmarem na sexta-feira o assassinato, Bogotá e Quito lançaram imediatamente uma ofensiva militar coordenada para capturar Guacho.

O ministro detalhou que no Equador foram mobilizados 550 combatentes, entre militares e policiais, e que empregaram helicópteros, um avião e tanques blindados. Até a manhã deste domingo, sete pessoas tinha sido detidas, entre elas um especialista em explosivos e segurança, vinculadas ao grupo de Guacho. / AFP

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